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Morte de 70 sunitas em mesquita piora crise política no Iraque

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 17h 34

Ataque de militantes xiitas ocorre no momento em que o novo premiê tenta formar um governo de união e combater o Estado Islâmico

MOSSUL - Pelo menos 70 sunitas morreram nesta sexta-feira, 22, em um ataque de militantes xiitas contra uma mesquita sunita na província oriental de Diyala, causando repercussões políticas no Iraque.

O ataque vem à tona em um momento delicado, com o novo primeiro-ministro, Haider al-Abadi, tentando formar governo de união e atrair sunitas e curdos para lutar contra os jihadistas do grupo radical Estado Islâmico (EI).

Após o ataque, o movimento sunita Diyala é Nossa Identidade, liderado pelo novo presidente do parlamento, Salim al-Jabouri, e a Coalizão Al Arabiya se retiraram das consultas realizadas perante a formação do novo governo.

Os dois blocos, que contam com 15 deputados, condicionaram sua participação no novo governo a uma resposta aos autores do ataque. Os políticos pedem que os responsáveis sejam apresentados à Justiça em 48 horas e paguem uma indenização aos parentes das vítimas.

O ataque teve como alvo a mesquita de Musaab bin Omair, situada na cidade de Bin Wais, durante a grande reza do meio-dia da sexta-feira.

Um ativista sunita, citando testemunhas próximas, explicou que os militantes xiitas ligados ao Exército lançaram vários projéteis antes de abrir fogo de forma indiscriminada contra as pessoas que estavam na mesquita. Depois do massacre, os milicianos ainda teriam permanecido no local por cerca de 30 minutos, impedindo que os feridos fossem levados aos hospitais, informou o ativista da rede Grande Revolução Iraquiana.

Moradores da região disseram que o ataque está relacionado a uma possível vingança pela explosão de várias bombas contra voluntários xiitas, ação que resultou na morte de seis pessoas.

Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, antes das explosões, um tiroteio entre homens armados e milicianos xiitas foi registrado na mesma região.

Em razão das pressões, as Forças Armadas iraquianas anunciaram a formação de uma comissão de "alto nível" para investigar o fato, como a Anistia Internacional e outros organismos haviam pedido.

O Iraque é palco de um conflito armado, com caráter sectário, desde junho, quando o EI - apoiado por outros grupos sunitas - lançou uma ofensiva no norte do país, assumiu o controle da cidade de Mossul e proclamou um califado islâmico entre o Iraque e a Síria.

A União das Forças Nacionais, que engloba a maioria dos grupos sunitas, atribuiu nesta sexta o aumento da violência no Iraque ao ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki e às forças de segurança. "As milícias criminosas gozam da proteção de algumas formações políticas e as forças de segurança não intervêm nesses ataques", criticou a União, em um comunicado.

Um dos redutos dos extremistas do EI é a província de Ninawa, alvo de bombardeios americanos e operações das forças curdas "peshmergas". Em um ataque aéreo efetuado nesta sexta pelo menos 35 combatentes jihadistas foram mortos nos arredores da cidade de Nahia, a 22 quilômetros ao noroeste de Mossul, capital de Ninawa.

O dirigente do Partido Democrático do Curdistão, Muhialdin al Masuri, explicou que o bombardeio americano alcançou um comboio composto por sete veículos. O Exército iraquiano lançou panfletos sobre Mossul pedindo a colaboração dos cidadãos para expulsar os jihadistas.

Desde o dia 8, os EUA já realizaram 93 ataques aéreos em todo Iraque, 60 deles em apoio às forças iraquianas nos arredores de Mossul.

Por conta dos combates e da repressão exercida pelo EI nas zonas que controlam, o número de deslocados em direção à região autônoma do Curdistão iraquiano é de 700 mil, segundo dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). / EFE

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