Mortes de migrantes no Mediterrâneo aumentam 50% em 2016

Organização Internacional de Migrações teme mais mortes diante das novas regras de imigração da União Europeia

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 07h26

GENEBRA - O número de refugiados e imigrantes mortos em 2016 tentando cruzar o Mar Mediterrâneo sofre um salto de 50% nos três primeiros meses do ano, superando o que já era um ano recorde registrado em 2015. Dados publicados pela Organização Internacional de Migrações (OIM) apontam para um total de 714 mortos, acima das 489 vítimas no mesmo momento no ano passado.

Os dados estão sendo publicados no momento em que a Europa começa a deportar estrangeiros de volta para a Turquia. 

Só em janeiro, mais de cem pessoas morreram afogadas ao tentar chegar até as ilhas gregas, saindo da Turquia. A rota entre a Líbia e o sul da Itália, que voltou a ser movimentada, registrou também um salto em mortes, com mais de 170 casos apenas em março.

No total, a OIM estima que 172 mil pessoas cruzaram o mar em direção à Europa em 2016 e nem mesmo depois que o acordo foi fechado entre a Europa e Turquia o fluxo foi freado. Segundo a entidade, porém, os números foram reduzidos. A média de 1,5 mil desembarques na Grécia por dia caiu para cerca de 400 chegadas diárias.   

"O sistema parece estar funcionando em reduzir o volume de pessoas cruzando esse trecho da Turquia para a Grécia", disse. "Mas estamos preocupados com a possibilidade de que tomem caminhos mais arriscados", indicou. "Não existem ainda evidências de que isso já esteja ocorrendo de forma intensa. Mas é a nossa grande preocupação, inclusive de que essas pessoas caiam uma vez mais nas mãos de grupos criminosos", afirmou a OIM.

Para a entidade e para a ONU, uma forma de evitar mais mortes seria a de garantir que, apesar das deportações, sírios e outros refugiados na Turquia serão reassentados na Europa. "As pessoas precisam ver que existe uma esperança, o que reduziria o incentivo para se arriscar em trajetos perigosos", indicou a OIM.

Mas, por enquanto, o número de reassentamentos é mínimo. Nos últimos dois dias, apenas 74 pessoas foram retiradas de acampamentos na Turquia para Alemanha ou Finlândia. Hoje, outros 31 serão levados para a Holanda. "É muito pouco", confirmou a OIM.  

No total, 3,7 mil pessoas morreram tentando chegar até a Europa em 2015, principalmente no mar entre a Grécia e Turquia e no trecho entre a Líbia e o Sul da Itália.

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