Mortos por violência política nas Filipinas chegam a 46

Mais 22 corpos foram encontrados nesta terça-feira; entre as vítimas estão políticos e jornalistas

estadao.com.br,

24 Novembro 2009 | 07h58

As forças de segurança encontraram nesta terça-feira, 24, outros 22 corpos de vítimas do massacre motivado por uma disputa entre grupos rivais no sul das Filipinas, elevando para 46 o número de mortos na tragédia. O governo declarou estado de exceção na província de Maguindanao, no sul do país, depois do sequestro de uma caravana eleitoral que apresentaria a candidatura a governador provincial de Mangudadatu.

 

O superintendente de polícia Josefino Cataluna disse que 11 corpos foram encontrados antes do cair da noite, pelo horário local, em uma vala comum cavada na encosta de um morro. Mais cedo, outras 11 vítimas do mesmo massacre foram encontradas no mesmo local. Jornalistas filipinos enviados a Maguindanao asseguraram que um guindaste encontrado perto de uma das valas tinha impresso o selo do governador regional, Andal Ampatuan, acusado de ter ordenado o massacre para intimidar seu principal adversário político, Ismail Mangudadatu.

 

Cerca de cem homens armados armados sequestraram cerca de 40 pessoas, aparentemente para impedir que uma mulher apresentasse a candidatura de seu marido nas eleições provinciais de maio. Pouco depois, um grupo de soldados encontrou os corpos decapitados de 13 mulheres e oito homens, entre eles advogados, jornalistas, além da esposa e de outros familiares de Ibrahim Mangudadatu, vice-prefeito da cidade de Buluan.

 

Segundo os militares, entre os mortos estava Genalyn Tamzon-Mangudadatu, que pretendia apresentar a candidatura do marido para governador da Província de Maguindanao. Ele concorreria ao cargo com Datu Andal Ampatuan, chefe de uma poderosa família local. Fontes militares asseguram que o grupo armado foi pago por Ampatuan, governador da província e chefe da ala opositora a Mangudadatu.

 

O sul das Filipinas é dividido entre violentos clãs, entre eles os dos Mangudadatus e o dos Ampatuans. Por causa das disputas, muitos políticos da região mantêm exércitos privados muito bem armados. Ampatuan foi eleito governador de Maguindanao três vezes, sempre sem oposição. Filhos, netos e outros parentes de Ampatuan controlam a maioria das 22 prefeituras da província. Em uma entrevista em 2007, Ampatuan disse que ninguém o enfrentava ou a seus parentes, pois não havia chances de derrotá-los.

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