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Mossack e Fonseca são presos no Panamá por suposto envolvimento em esquema de corrupção

Investigação aponta que escritório teria atuado como uma organização criminosa dedicada a ocultar dinheiro de origem suspeita dentro da operação Lava Jato

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2017 | 08h11

PANAMÁ - Os dois sócios principais do escritório Mossack Fonseca foram presos na quinta-feira, horas após a Procuradoria do Panamá ter formulado as acusações pelo suposto envolvimento na Operação Lava Jato, o maior esquema de corrupção do Brasil.

Ramón Fonseca Mora, ex-ministro-conselheiro do presidente panamenho, Juan Carlos Varela, e Jurgen Mossack, foram levados da sede do Ministério Público para as celas da polícia na capital. Nesta sexta-feira, 10, haverá a continuação do inquérito iniciado no dia anterior, disse o advogado de defesa, Elías Solano.

Ambos chegaram horas antes ao Ministério Público para esclarecer a relação de seu escritório com crimes relacionados à Lava Jato. Solano disse aos jornalistas que seus clientes passarão a noite no local, mas que não pesa sobre eles nenhuma medida cautelar porque "a diligência ainda não terminou".

O escritório, especializado na criação de empresas offshore, atuou como uma organização criminosa dedicada a ocultar dinheiro de origem suspeita dentro da Lava Jato, de acordo com uma investigação revelada na quinta-feira pela procuradora-geral panamenha, Kenia Porcell.

Segundo ela, o escritório de advogados dava instruções a seu "encarregado" no Brasil para "ocultar documentos e eliminar evidências" e fazer com que o dinheiro "proveniente do suborno" retornasse "lavado ao Panamá".

Kenia Porcell também afirmou que a formulação de acusações é fruto de uma investigação conjunta com as procuradorias de outros países, entre eles Brasil, Suíça e EUA, que durou cerca de um ano.

O advogado de Mossack e Fonseca disse que se trata de "acusações forçadas, carentes de provas" e era "triste" que o Ministério Público se baseasse em uma acusação com "cópias simples, extraídas da internet, supostamente procedentes do exterior, mas sem cumprir com os requisitos mínimos".

Os escritórios da Mossack Fonseca, que é alvo de outra investigação pelos chamados Panama Papers, foram revistados e seus dois sócios compareceram de maneira voluntária para depor na Procuradoria por seu suposto envolvimento nos casos investigados pela Lava Jato.

Antes de entrar nas instalações do Ministério Público, Fonseca Mora acusou o presidente Varela de ter recebido durante a campanha eleitoral de 2014 "doações" da Odebrecht, envolvida em um escândalo de subornos em diferentes países da América Latina, algo negado depois pelo mandatário em entrevista coletiva.

Ele também acusou a Procuradoria de usá-lo como "bode expiatório", de abordar as investigações com lentidão e de maneira arbitrária, e de se deixar manipular pelo governo. / EFE

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