Motim em prisão na Venezuela deixa ao menos 12 mortos

Segundo a ministra de Assuntos Penitenciários, a rebelião foi provocada pela “direita fascista”

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 00h01

CARACAS - Pelo menos 12 pessoas morreram durante um motim ocorrido na madrugada de terça-feira, 25, na prisão de Puente Ayala, no leste da Venezuela. Nove foram mortos por tiros, dois por overdose e um por traumatismos, segundo a ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varela. Outras 15 pessoas ficaram feridas. Do total de mortos e feridos, há funcionários das forças de segurança.

A penitenciária estava passando por uma transição no regime que, segundo Iris, foi solicitada pelos detentos. Outros que não concordavam com a mudança se rebelaram e houve confronto entre grupos. De acordo com a mídia local, Puente Ayala era controlada por um preso apelidado de "El Balua", que foi assassinado a tiros por detentos que vieram do presídio de El Rodeo e queriam controlar o lugar.

Iris Varela garantiu nesta quarta-feira, 26, que tem provas de que o motim foi incentivado pela “direita fascista” venezuelana que pretende desestabilizar o país. “Esses setores da direita fascista colocaram na cabeça a ideia de incitar a prisão, que assumiriam o controle e que a partir dali poderiam desestabilizar o Estado de Anzoátegui controlando o presídio”, disse a ministra.

As provas seriam vídeos que mostram um grupo de 15 pessoas sendo incentivado pelos setores que ela chama de “direita fascista”. Iris afirmou que o grupo estaria oferecendo US$ 50 mil para que assumissem o controle do presídio. A ministra informou que os responsáveis já foram identificados e devem se apresentar nos tribunais. O Ministério Público da Venezuela disse que destacou uma comissão para investigar a “situação irregular”.

Carlos Nieto, da ONG Uma Janela para Liberdade, sustenta a versão de que houve uma “troca de governo, que é como um golpe de Estado ao ‘pran’”, com se chama, no jargão carcerário, o chefe do grupo que controla o presídio. “Esse ‘pran’ foi um dos mortos, que se chamava Giovanni. Quem queria tomar o controle era um grupo de reclusos que havia sido transferido da Penitenciária Geral de Venezuela”, disse Nieto.

Situação carcerária. A prisão Puente Ayala conta com 5.697 presos, segundo Iris Varela, e foi uma das mais violentas da Venezuela em 2016, de acordo com a ONG Observatório Venezuelano de Prisões, que registrou 14 mortes naquele ano.

Segundo o Observatório, a população carcerária da Venezuela em 2016 era de  54.738 presos, enquanto a ONG Uma Janela para Liberdade estima que o número chegou a 88 mil, com 33 mil em condições de superlotação em celas da polícia devido a atrasos processuais e falta de espaço nas prisões. Não há dados oficiais sobre o número de presos no país.

O Ministério de Serviço Penitenciário adianta um programa de reforma e humanização das prisões que, entre outras coisas, busca desarmar os internos. Há cerca de 50 centros penitenciários na Venezuela, dos quais 98% trabalham sob o novo regime impulsionado pelo governo, segundo a ministra Iris Varela. /EFE e AFP

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