TV Estadao | 13.06.2016
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Motivação foi homofóbica, diz líder LGBT de Orlando

Para Rob Domenico, coordenador de centro de direitos civis em Orlando, atirador odiava gays

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO

14 Junho 2016 | 05h00

O casamento gay foi legalizado em todos os EUA há quase um ano. Pessoas do mesmo sexo podem se beijar ou andar de mãos dadas nas cidades do país e milhares se reúnem todos os anos na Disneylândia para um festival chamado Gay Days. Com um presidente simpático à sua causa na Casa Branca, a comunidade LGBT de Orlando acumulava conquistas e celebrava sua crescente aceitação pela sociedade americana.

Mas a convicção de muitos de que o preconceito havia sido derrotado foi abalada na madrugada de domingo, quando a casa noturna Pulse foi alvo do maior crime de ódio da história recente do país. 

“Foi um choque porque nos últimos anos nós nos sentimos mais e mais aceitos e queridos. A administração de Barack Obama fez coisas maravilhosas para a comunidade e nós temos um novo nível de proteção”, disse ao Estado Rob Domenico, do Centro para a Comunidade LGBT do Centro da Flórida. Com a legalização do casamento gay pela Suprema Corte, ele conseguiu formalizar a união com seu companheiro. 

Tim Evanicki, programador de eventos do Parliament House, o maior clube gay de Orlando, também celebrou as conquistas dos últimos anos. “Nós conseguimos muitas coisas em pouco tempo.” Ambos acreditam que a rapidez das mudanças gerou um movimento contrário de reação de setores conservadores e deu vazão ao ódio expresso no crime de domingo. 

Intolerância. O massacre foi perpetrado por um muçulmano, mas alguns cristãos fundamentalistas o celebraram. “A boa notícia é que há 50 pervertidos a menos nesse mundo”, declarou o pastor do Arizona Steven Anderson. “Nós estamos no ‘cinturão da Bíblia’ e se você olhar as redes sociais verá pessoas dizendo que nós merecemos o que aconteceu”, observou Domenico.

Chase Strangio, advogado da União Americana para Liberdades Civis, usou o Twitter após o ataque para lembrar que a direita cristã estimula o preconceito contra gays. Só nos últimos meses, afirmou, 200 projetos de lei de inspiração religiosa foram apresentados em Estados americanos para restringir direitos ou permitir a discriminação contra a comunidade LGBT.

Em uma resposta aos ataques, a Parliament decidiu abrir as portas e manter sua programação inalterada. No domingo, cerca de 1.400 pessoas foram ao clube para homenagear as vítimas e debater o que havia ocorrido. “Nós somos uma comunidade muito próxima e todos conhecíamos alguém que estava lá”, disse Evanicki.

Entre os que morreram na Pulse, estavam cinco drag queens que se apresentavam em diferentes casas noturnas da cidade, entre elas, a Parliament. Evanicki soube do tiroteio assim que ele começou, às 2h do domingo, por meio de mensagens de textos de amigos que estavam na Pulse. Naquele momento, a Parliament estava fechando as portas. “Ninguém conseguiu dormir.”

Apesar de o atirador ter declarado lealdade ao Estado Islâmico, Domenico disse estar convencido de que a motivação do ataque foi a homofobia. Mateen vivia na cidade de Fort Pierce e dirigiu 190 km até Orlando para realizar o ataque. 

“Ele veio para cá porque somos uma comunidade unida, que demonstra como a comunidade LGBT e heterossexuais podem conviver.”

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