REUTERS/Amir Cohen
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Mudança da embaixada em Israel é promessa de Trump para evangélicos

Grupos de lobby dos evangélicos brancos, um dos segmentos mais conservadores da base de apoio de Donald Trump, cobraram presidente americano em maio e na semana passada sobre localização da representação diplomática do país

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 16h29

WASHINGTON - O reconhecimento Jerusalém como capital de Israel é mais uma promessa de campanha feita por Donald Trump a um dos segmentos mais conservadores de sua base de apoio, os evangélicos brancos, 80% dos quais optaram por sua candidatura na disputa de novembro de 2016. Esse grupo representa um terço dos eleitores republicanos e vê em Israel a realização de profecias bíblicas.

EUA reconhecem Jerusalém como a capital de Israel e transferem embaixada

O mais poderoso grupo de lobby nesse terreno é o Cristãos Unidos por Israel, fundado em 2006 pelo pastor John Hagee. "Eu posso assegurar a você que 60 milhões de evangélicos estão olhando para essa promessa de perto, porque se o presidente Trump mudar a embaixada para Jerusalém, ele vai dar um passo histórico para a imortalidade", disse Hagee na terça-feira, 5, em entrevista à rede de TV Fox News.

David Cohen, cientista político da Universidade de Akron, observou que os evangélicos brancos foram fundamentais para a vitória de Trump. "Ele não seria presidente sem esse apoio." Segundo ele, o grupo é ativo politicamente e registra um alto porcentual de comparecimento às urnas.

A decisão que agrada aos evangélicos brancos conservadores é criticada por todos os demais países do Oriente Médio e por aliados europeus dos EUA. "Trump está repetindo o que fez desde o início de seu mandato, que é jogar para sua base de apoio", ressaltou Cohen. "Nessa altura, alguém ainda pensa que ele se importa com o que outros governantes acham dele?"

Conheça o posicionamento da comunidade internacional sobre Jerusalém

A entidade Líderes Cristãos Americanos por Israel pediu a Trump em maio que cumprisse sua promessa de campanha. Na época, o presidente acabou enviando ao Congresso comunicado que prorrogou em seis meses a transferência da embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém - a medida tem sido renovada desde 1995, quando parlamentares aprovaram lei determinando a mudança.

Na semana passada, eles encaminharam outra carta ao presidente, com o mesmo teor - o novo prazo venceu na segunda-feira. "Isso é importante para nós, líderes cristãos, porque Jerusalém é uma cidade muito significativa na fé cristã, com muitos lugares sagrados. Apenas um livre e democrático Israel protegerá Jerusalém para pessoas de todas as fés."

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