AP Photo/Ronald Zak
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Mudanças de Trump prejudicarão setor privado em Cuba, diz ministro

Para chanceler Bruno Rodríguez, as medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos também vão deteriorar os interesses dos americanos

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 14h41

As novas restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos para Cuba, que proíbem indivíduos e empresas de negócios com companhias vinculadas às Forças Armadas de Cuba prejudicarão também o setor privado da ilha, advertiu o ministro de Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, nesta segunda-feira, 19.

"Em Cuba, é impossível atingir o setor estatal sem afetar o cooperativismo, os privados (autônomos) e às pequenas empresas. É claro que as medidas dos Estados Unidos afetarão os interesses dos cubanos", afirmou, em entrevista coletiva em Viena.

As mudanças anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, na sexta-feira passada em Miami "prejudicarão especialmente os setores" com os quais esse país "mais tem interesse em se relacionar", disse Rodríguez. Segundo ele, por um lado os Estados Unidos tentam impor em Cuba o capitalismo, e, por outro, atacam às empresas privadas na ilha. Para o ministro, as medidas anunciadas por Trump também "vão deteriorar os interesses dos americanos".

"É curioso o paradoxo, porque Trump disse que sua prioridade era o povo americano, a criação de empregos e o favorecimento de oportunidades de empresas americanas. Com estas medidas faz tudo ao contrário", disse Rodríguez.

Conforme o anunciado na semana passada, o presidente americano pretende proibir o comércio com empresas controladas pelo Exército cubano e pelo Ministério do Interior, e eliminar as viagens individuais de americanos a Cuba. 

Refugiados. O governo cubano também chamou de "espetáculo grotesco" as novas restrições  e acrescentou que seu país não devolverá os chamados "fugitivos", acusados pela Justiça de seu ex-inimigo da Guerra Fria.

"No uso da lei nacional e do direito internacional... Cuba concedeu asilo político ou refúgio a defensores dos direitos civis nos Estados Unidos. Essas pessoas não serão devolvidas aos Estados Unidos, que carecem de base legal, política e moral para reclamá-los", disse o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, a repórteres em Viena.

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