AP Photo/Ben Curtis
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Mugabe deve renunciar pelo bem da população, diz líder opositor

Morgan Tsvangirai também elogiou a ação dos militares durante a tomada da capital, na quarta-feira, e pediu a implementação de um mecanismo de transição; presidente está em prisão domiciliar e se recusa a deixar o cargo

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 16h33

HARARE - O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse que o presidente Robert Mugabe, de 93 anos, precisa renunciar ao cargo em nome do interesse do país. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 16, um dia após os militares tomarem a capital, Harare.

Mugabe resiste à pressão de militares para deixar governo do Zimbábue

Tsvangirai ainda disse que a população suportou "muito sofrimento" nos últimos cinco anos e elogiou os militares, que, segundo ele, trabalharam durante a crise para garantir a segurança do povo e não colocar a vida de ninguém em risco. 

"É necessário um mecanismo de transição que contemple todos os partidos envolvidos", afirmou Tsvangirai, de acordo com o portal News24.

Já Mugabe, que está em prisão domiciliar, insiste que é o único governante legítimo do Zimbábue. Ele também se recusa a aceitar a mediação do padre católico Fidelis Mukonori, que tem interesse em oferecer ao ex-guerrilheiro uma saída honrosa do poder.

Especula-se, no entanto, que existem negociações nos bastidores sobre a saída de Mugabe. 

A intervenção militar, segundo analistas, foi motivada pela demissão do ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa há uma semana. O ex-vice era um dos favoritos à sucessão de Mugabe. Com Mnangagwa fora do caminho, o governo cairia no colo da primeira-dama, Grace Mugabe, de 52 anos. 

A popularidade de Grace é baixa entre a população. Nos últimos dois anos, ela ascendeu rapidamente dentro do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (Zanu-PF). Tal ascensão culminou na demissão do ex-vice-presidente. 

Não foi informado se o casal Mugabe terá imunidade no final desse processo.  

Apesar dos acontecimentos, a capital amanheceu aparentemente tranquila. / REUTERS e EFE

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