Mulher de ex-líder chinês é suspeita de participar de morte

Acusação contra Gu Kalai, casada com Bo Xilai, teria causado crise que levou à destituição do chefe de Chongqing

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h05

O escândalo que está sacudindo o Partido Comunista (PC) chinês na iminência da mudança em sua liderança e já resultou na queda de Bo Xilai - que era chefe da megacidade de Chongqing e um dos fortes candidatos ao órgão máximo de comando do país - foi desencadeado por alegações de que a mulher do político estaria envolvida na morte de um empresário britânico. A informação é de uma fonte próxima aos envolvidos no caso.

As afirmações, corroboradas por outras duas fontes - que, como a principal, falaram sob condição de anonimato - integram o único relato com detalhes a respeito dos eventos que culminaram na destituição de Bo, de 62 anos.

Na véspera da oficialização de sua queda, no dia 15, ele tinha sido alvo de críticas do primeiro-ministro Wen Jiabao, durante o discurso do premiê no encerramento do Congresso Nacional do Povo. A nota da agência oficial Xinhua, que informou a destituição, não explicou o motivo da decisão.

Segundo a fonte, que citou relatos de uma investigação não concluída, Wang Lijun, ex-chefe de polícia de Bo "sem dúvida" falou da suspeita sobre a mulher com o próprio político. Mas, para o informante, o teor de verdade da acusação não é claro.

De acordo com a fonte, Wang disse a Bo no fim de janeiro que a mulher do político, Gu Kalai, estava envolvida na morte do empresário britânico Neil Heywood, ocorrida no sudoeste da China em meados de novembro. O relato ajuda a explicar o aparente rompimento entre o ex-chefe de Chongqing e o policial, que liderou a amplamente aplaudida política de Bo de combate ao crime na metrópole.

O escândalo começou a tomar forma no início de fevereiro, quando Wang se refugiou na Embaixada dos EUA em Chengdu, a capital de Sichuan, que fica a quatro horas de carro Chongqing. Segundo analistas chineses, o policial temia pela própria vida, pois possuía informações comprometedoras sobre Bo e estava sendo investigado por Pequim, sob suspeita de corrupção.

O ex-chefe de Chongqing e a mulher dele não são vistos desde a destituição do político e não podem responder publicamente aos rumores e relatos por determinação do PC. Wang também não pode comentar o assunto, por estar sob investigação.

O governo de Chongqing não respondeu a telefonemas e questionamentos enviados por fax para a obtenção de informações sobre a queda de Bo e a morte de Heywood. Pequim afirmou que os resultados de sua investigação sobre a ida de Wang à representação americana serão divulgados, mas não disse quando. A chancelaria chinesa também não comentou a morte de Heywood. Um porta-voz disse que o órgão não tem informações sobre o caso.

Antes de sua destituição, Bo qualificou como tolices acusações não especificadas envolvendo sua mulher, que já foi uma poderosa advogada. A família de Heywood negou rumores de que ele era um espião e teria sido cremado contra sua vontade - e afirmou não suspeitar de irregularidades em sua morte. / REUTERS

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