Win McNamee/Getty Images/AFP
Win McNamee/Getty Images/AFP

Mulher morta em manifestação na Virgínia apoiava rival de Trump

Assistente jurídica de 32 anos, Heather Heyer foi atropelada durante ato contra marcha da supremacia branca nos EUA

Dow Jones Newswires

13 Agosto 2017 | 13h05

A mulher morta durante uma manifestação em Charlottesville, Virgínia, foi identificada como a assistente jurídica Heather Heyer, de 32 anos. Ela foi atropelada por um homem branco que avançou com seu veículo sobre um grupo que protestava contra a marcha da supremacia branca, ocorrida antes.

As mensagens de Heather nas redes sociais indicavam apoio ao senador Bernie Sanders, candidato derrotado por Hillary Clinton na disputa pela candidatura do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos no ano passado.

Na página do Facebook de Heather, a foto da capa mudou dias após a eleição do presidente Donald Trump no último outono para um slogan político: "Se você não está indignado, você não está prestando atenção". Durante a campanha das primárias de 2016, uma foto de capa na página era de Sanders. Outra simplesmente dizia: "Bernie 2016."

A assistente jurídica ficou gravemente ferida quando um carro atingiu um grupo de pessoas que marchava no centro de Charlottesville, seguindo uma manhã de confrontos entre nacionalistas brancos e manifestantes contrários. O veículo fechou outro carro que se movia lentamente junto com os manifestantes.

O motorista foi posteriormente preso e acusado de assassinato. O incidente também feriu 19 pessoas. Das que foram levadas ao Centro Médico da Universidade da Virgínia, cinco estavam inicialmente em estado crítico e quatro estavam em estado grave, informou o hospital no sábado.

Uma página Go Fund Me preparada para beneficiar a família de Heather Heyer arrecadou mais de US$ 50 mil no domingo de manhã. "Heather Heyer foi assassinada enquanto protestava contra o ódio", disse a página.

Tensão. Os confrontos começaram na sexta-feira à noite, quando os participantes da marcha “Unir a Direita” carregaram tochas no campus da Universidade da Virgínia, em uma cena que evocava reuniões da Ku Klux Klan. O grupo de centenas de homens brancos gritava “Você não vai tomar o nosso lugar” e “Judeus não vão tomar nosso lugar”.

Com capacetes e bandeiras confederadas nas mãos, eles voltaram às ruas da cidade ontem, repetindo slogans nazistas. Novos conflitos ocorreram quando manifestantes contrários à marcha se aproximaram, gritando seus próprios slogans contra o racismo. Segundo a polícia, 14 pessoas ficaram feridas nos confrontos. 

Com 47 mil habitantes, Charlottesville é uma cidade universitária, na qual 80% dos eleitores votaram na democrata Hillary Clinton. Em abril, a Câmara de Vereadores aprovou lei determinando a remoção de um estátua de bronze do general Robert Lee localizada no parque que tinha o seu nome e foi rebatizado de Parque da Emancipação.

Durante a Guerra Civil (1862-1865), Lee foi um dos comandantes do Exército Confederado, do Sul, que se opunha à abolição da escravatura defendida pelos Estados do Norte e o presidente Abraham Lincoln.

Desde a aprovação da lei, Charlottesville se transformou em um imã para os defensores da supremacia branca, um grupo marginal na sociedade americana que se tornou mais ativo no governo Trump. Pequenas manifestações contra a lei foram realizadas em maio e julho.

À diferença do que ocorre na Europa, o discurso de ódio não é proibido nos EUA, onde conta com a proteção da Primeira Emenda da Constituição, que garante a liberdade de expressão. /COM CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE

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