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AP Photo/Stefano Rellandini, Pool

Mulher não pode ser mãe e política ao mesmo tempo, diz Berlusconi

Em declaração polêmica, ex-premiê defende que uma mãe 'não pode se dedicar a trabalho de 14 horas' ao se referir ao plano da ultraconservadora Giorgia Meloni de disputar prefeitura de Roma

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O Estado de S. Paulo

15 Março 2016 | 12h47

ROMA - O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi afirmou nesta terça-feira, 15, que ser mulher, mãe e prefeita de uma cidade como Roma são tarefas incompatíveis, criando uma polêmica na Itália sobre o papel das mulheres na política.

"Uma mãe não pode se dedicar a um trabalho que ocupa 14 horas por dia", disse o magnata e líder conservador à emissora "Radio Anch'io", ao ser questionado sobre a intenção da líder do ultraconservador Irmãos da Itália, Giorgia Meloni, grávida, de concorrer à prefeitura da capital.

Para Berlusconi uma coisa é clara: "uma mamãe não pode se dedicar a um trabalho que neste caso seria terrível porque Roma está em uma situação desastrosa".

As palavras do líder do Forza Itália foram contestadas pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi, que, questionado sobre se uma mulher pode assumir essa difícil tarefa política e conciliá-la com a maternidade, disse "é claro que sim, absolutamente".

As declarações de ambos foram publicadas um dia depois da ministra da Saúde italiana, Beatrice Lorenzin, dizer que a Itália "não é um país para mulheres", depois de terem colocado em dúvida nos últimos dias a idoneidade de Giorgia.

"Este país não é para mulheres. O que está ocorrendo nestes dias é incrível e revela uma misoginia de fundo", afirmou em comunicado a ministra.

A polêmica surgiu depois que o candidato conservador à Prefeitura da capital italiana, Guido Bertolaso, descartou incluir Giorgia em sua hipotética equipe de governo porque na sua opinião ela "deve se empenhar no papel de mãe".

"Meloni deve se empenhar no papel de mãe. Acredito que é a coisa mais bela que pode ocorrer com uma mulher na vida. Deve tramitar esta página de sua vida. Não entendo por que alguém deva obrigá-la a fazer uma campanha eleitoral que será feroz", disse Bertolaso. / EFE

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