REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Mulheres venezuelanas marcham contra a repressão e pela paz

Vestidas de branco e carregando a bandeira nacional, milhares de mulheres venezuelanas contrárias ao governo de Nicolás Maduro marcham em Caracas e em outras cidades do país; chavistas também fizeram ato para defender o presidente da violência 'terrorista'

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 17h44

CARACAS - As mulheres saíram às ruas neste sábado, 6, na Venezuela em uma marcha para exigir o fim do que chamam de "selvagem repressão" do governo chavista aos opositores e para pedir o fim da violência.

Lideradas por deputadas e outras líderes da oposição, centenas de mulheres marcharam até a sede do ministério do Interior e da Justiça, no centro de Caracas, para rejeitar a atuação das forças de segurança, que dispersam com frequência os protestos contra o governo com gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água. Manifestações similares foram convocadas em outras cidades.

Os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, exigindo eleições gerais como solução para a crise política e econômica no país, deixaram 36 mortos e centenas de feridos e detidos, de acordo com a Procuradoria.

"A ditadura vive seus dias finais e Maduro sabe. Por esta razão, vemos esses níveis sem precedentes de repressão. Então, hoje é a vez das mulheres avançarem", declarou a ex-parlamentar María Corina Machado.

Por sua vez, Asia Villegas, vice-ministra da Igualdade de Gênero, disse que as mulheres oficialistas caminhariam até a Defensoria Púbica, igualmente no centro da capital, onde os protestos da oposição não conseguem chegar.

"Nós não queremos propiciar a guerra, estamos comprometidos com a paz", declarou Asia na mobilização, que vai entregar um documento com denúncias de mulheres que foram "vítimas do fascismo", como o governo se refere às ações da oposição.

Maduro descarta convocar eleições gerais. Em vez disso, entregou na quarta-feira passada um decreto de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para reformar a Constituição. Metade dos 500 membros da assembleia seriam eleitos por setores - que a oposição diz que são controlados pelo governo - e metade pelo voto municipal.

 

De acordo com o líder da oposição Henrique Capriles, com a sua Constituinte Maduro pretende apenas evitar as eleições. A Constituinte "acaba por não ser uma eleição democrática, universal, direta e secreta", declarou Capriles.

Maduro, por sua vez, argumenta que a Constituinte "conciliaria" o país e reduziria o que chama de "ofensiva da direita opositora", que segundo ele pretende derrubá-lo e propiciar uma intervenção dos Estados Unidos para se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo.

Embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmaram em Washington que os planos para uma reunião de chanceleres estão sendo mantidos para discutir a crise na Venezuela, apesar da decisão de Maduro de deixar o bloco.

Julio Borges, presidente do Parlamento de maioria opositora, reuniu-se na quinta-feira com o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e com o vice-presidente americano Mike Pence, para explicar a "grave situação que existe na Venezuela pela ruptura da ordem constitucional e violação dos direitos humanos". / AFP

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