Alessandro Bianchi/Reuters
Alessandro Bianchi/Reuters

Mundo se prepara para receber 2017 com fortes medidas de segurança

A segurança está no centro das preocupações em todos os continentes, ao término de um ano abalado por uma série de ataques mortíferos contra civis.

O Estado de S. Paulo

31 Dezembro 2016 | 12h22

O mundo se prepara neste sábado para uma longa noite de celebrações para receber 2017 em meio a fortes medidas de segurança, ao término de um ano abalado por uma série de ataques mortíferos contra civis.

Istambul, Orlando, Bruxelas, Ouagadougou, Bagdá... A lista de cidades atingidas por ataques extremistas em 2016 é longa.

Em Nice (86 mortos no dia 14 de julho) e Berlim (12 mortos em 19 de dezembro), caminhões avançaram contra a multidão, o modus operandi mais temido pelos serviços de segurança neste ano-novo.

No entanto, milhões de pessoas já saem sucessivamente às ruas de Oceania, Ásia, Oriente Médio, África, Europa e América para comemorar a chegada de um ano repleto de incertezas políticas e geopolíticas.

Devido à diferença de horário, Sydney foi a primeira grande metrópole a receber o novo ano, que começou com 12 minutos de um show pirotécnico em sua emblemática baía.

Mas a Austrália também está na linha de frente da luta contra o terrorismo. Um total de 2 mil policiais extras foram mobilizados em Sydney após a prisão de um homem por "ameaças vinculadas ao ano-novo". Há uma semana, o governo já havia afirmado ter frustrado um "complô terrorista" para o dia de Natal em Melbourne.

"Encorajo todos a aproveitar o ano-novo sabendo que a polícia faz tudo o que pode para garantir a segurança", declarou o primeiro-ministro do Estado de Nova Gales do Sul, Mike Baird, para tranquilizar o milhão e meio de pessoas nas imediações da ponte da baía e da Ópera.

Paris. A segurança está no centro das preocupações em todos os continentes. A Indonésia também disse ter frustrado um projeto de atentado de um grupo ligado ao Estado Islâmico (EI) no Natal em Jacarta e dezenas de pessoas morreram nas Filipinas nos últimos dias em ataques atribuídos a extremistas.

Israel, por sua vez, divulgou na sexta-feira uma advertência sobre os riscos "imediatos" de atentados contra turistas, em particular israelenses na Índia.

Em Nova York, 165 veículos "bloqueadores" - como caminhões de lixo - serão colocados em "locais estratégicos" e, principalmente, nas imediações da Times Square, onde se espera que mais de um milhão de pessoas acompanhem a tradicional descida da bola que anuncia a mudança de ano.

Em Berlim, as autoridades colocaram blocos de concreto e veículos blindados nas artérias que conduzem ao Portão de Brandemburgo. Em Colônia, o número de agentes foi multiplicado por 10 para evitar que se repita a onda de ataques sexuais cometidos por migrantes registrados no ano passado, que provocaram uma onda de indignação na cidade.

Os dispositivos de segurança também foram reforçados em Roma, especialmente em torno da Basílica de São Pedro, onde o papa Francisco liderará durante a tarde o tradicional Te Deum.

Depois de uma véspera de ano-novo sombria em 2015 após os atentados de 13 de novembro, Paris volta a ser uma festa. Meio milhão de pessoas devem se reunir na Champs Élysées. Mas a segurança será enorme, com quase 100 mil policiais, gendarmes e militares mobilizados em toda a França.

Em Madrid, a Puerta del Sol já recebe 25 mil privilegiados que receberão o novo ano comendo uvas no compasso das doze badaladas da meia-noite, protegidos por cerca de 800 agentes das forças de segurança.

No Rio de Janeiro, mais de 2 milhões de pessoas invadirão a praia de Copacabana. Mas o espetáculo dos fogos de artifício foi reduzido de 16 para 12 minutos devido à crise e à falta de financiamento em uma cidade que tenta se recuperar do custo exorbitante da Copa do Mundo futebol de 2014 e dos recentes Jogos Olímpicos.

A América será o último continente a entrar em um novo ano, que se anuncia repleto de incógnitas, começando pela chegada à Casa Branca de Donald Trump, uma pessoa que ninguém teria apostado que venceria a disputa no início de 2016.

Também há incerteza sobre o conflito na Síria, cuja onda expansiva se propaga há quase seis anos muito além do Oriente Médio. Um cessar-fogo está em vigor desde 30 de dezembro, no qual são excluídos os grupos considerados terroristas, como o EI.

Mas antes de entrar no ano-novo, os cidadãos de todo o mundo terão mais um segundo para aproveitar esta noite especial.

O minuto que vai das 23h59 a zero hora durará um segundo a mais, 61, devido à inclusão de um "segundo intercalar" que permitirá sincronizar o tempo astronômico da rotação da Terra com a escala de tempo atômica, muito mais precisa. / AFP

 

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