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Museu do 11 de Setembro mistura luto e catarse

Lucia Guimarães - Especial para o Estado

02 Junho 2014 | 06h 00

Marcado por dilema existencial, instalação já recebeu quase 100 mil visitantes

Jin Lee/Divulgação
Painel interativo mostra vítimas do atentado

Nem o mais devastador ataque terrorista das Américas, com quase 3 mil mortos, extinguiu o temperamento argumentativo de Nova York. A inauguração do Museu do 11 de Setembro, no dia 15, está longe de encerrar debates sobre a melhor maneira de homenagear as vítimas. É uma encruzilhada de luto, política, interesses imobiliários, narrativa histórica e visão artística.

A nova construção, de US$ 700 milhões, ocupa uma área de 10 mil metros quadrados, a maior parte subterrânea. Nas duas primeiras semanas, já foi visitada por quase 100 mil pessoas, apesar do preço alto do ingresso, US$ 24 - parentes de vítimas do atentado não pagam.

Memoriais como o Museu do Holocausto, em Berlim, ou o minimalista Memorial do Vietnã, em Washington, confiam o peso de seu significado à arquitetura. A abstração é a âncora para a diversidade do luto. Mas a experiência de uma visita ao museu do 11 de Setembro é marcada pelo que os críticos se queixam como um literalismo excessivo.

O local é resultado do dilema existencial que marcou o debate sobre o que fazer com aquela área de Manhattan. Como construir um museu cuja parede abriga restos mortais nunca recuperados, satisfazer expectativas de narrativa histórica e, ao mesmo tempo, atrair dois milhões de pessoas que os administradores esperam receber por ano?

O saguão envidraçado com um tridente de aço retorcido - na verdade o suporte exterior de uma das torres - é o primeiro sinal do que está por vir. Na descida para os andares subterrâneos, a arquitetura espaçosa e modernista não oprime com imposição de solenidade.

Um enorme hall expõe a parede de chorume original que separava as garagens das torres das águas do Rio Hudson. Ali foi erguida a última coluna retirada dos escombros com assinaturas, fotos e mensagens das equipes de resgate.

“Já me dou por feliz se consigo consolar os que passam por aqui. As pessoas caem no choro,” disse um guarda do museu. Para os nova-iorquinos, o impacto maior está nas referências arquitetônicas às torres originais e na nova estrutura.

Esse espaço público, criado sob o espírito de negar aos terroristas a última palavra, ainda busca o equilíbrio entre a catarse e o luto.

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