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Na Argentina, americano é cobrado para agir contra EI

Ao lado de Macri, Obama diz que sua prioridade é acabar com o grupo, mas defende estratégia ‘inteligente’

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Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES,
O Estado de S. Paulo

23 Março 2016 | 23h20

O presidente dos EUA, Barack Obama, foi pressionado nesta quarta-feira em Buenos Aires a explicar por que o Estado Islâmico continua praticando atentados apesar das ações militares americanas na Síria e no Iraque.

Ao lado do argentino Mauricio Macri, com quem acabara de se reunir para tratar de temas bilaterais, o americano respondeu a dois jornalistas de seu país, escolhidos por sorteio, que acabar com o grupo radical é sua prioridade.

"Tenho um monte de coisas no meu prato, mas a minha prioridade é derrotar o Estado Islâmico e eliminar esse terrorismo bárbaro que tem atingido todo o mundo”, afirmou.

Obama acrescentou que tanto os EUA quanto a Argentina compreendem a tristeza dos belgas porque ambos sentiram o efeito do terrorismo. Ele mencionou o ataque à Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), que matou 85 em 1994, e ofereceu ajuda para esclarecer o crime. O caso era investigado pelo promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em janeiro de 2015, em um episódio também não esclarecido.

Obama desafiou os que consideram simples destruir o Estado Islâmico despejando indiscriminadamente bombas sobre a Síria e o Iraque. “Não há algo mais importante na minha agenda do que ir atrás deles e derrotá-los. A questão é: como vamos fazer isso de forma inteligente?”, perguntou.

O presidente deu poucos sinais de que planeja revisar sua estratégia diante dos ataques em Bruxelas. Argumentou que sua abordagem para combater o grupo tem evoluído e ideias como a do pré-candidato republicano à presidência dos EUA Ted Cruz de monitorar bairros com grande população muçulmana não fazem sentido.

“Esse tipo de proposta não representa o que são os americanos e não vai nos ajudar a derrotar o Estado Islâmico”, disse. Ele afirmou que uma das razões para não haver mais ataques extremistas nos EUA é a integração da comunidade muçulmana e acrescentou que a discriminação só pioraria a situação. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, irá para a Bélgica amanhã.

Como ações que têm obtido bom resultado, ele mencionou ataques localizados a comandantes do grupo radical, localizados por meio de trabalho de inteligência e com o apoio de líderes locais iraquianos e sírios.

 

O tema ganhou tamanha proporção na entrevista coletiva que Macri passou 10 minutos apenas escutando o visitante. Ele havia exposto sua solidariedade às vítimas logo no começo da declaração conjunta.

 

A saída de Obama da Casa Rosada foi acompanhada por centenas de turistas. Entre eles, o holandês Frits Leeuwenburgh, que se disse assustado com os ataques na Europa.

“Primeiro, ocorreram na Turquia e ninguém deu bola. Só depois que atacaram a França, todos disseram ‘oh!’. Agora, atacam Bruxelas. Estão conseguindo espalhar a sensação de que podem agir em qualquer lugar”, disse.

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