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AP Photo/Victor R. Caivano

Na Argentina, Obama respaldará políticas de Macri

BUENOS AIRES - Nos dois dias que passará na Argentina, o presidente americano, Barack Obama, respaldará a política econômica e externa de Mauricio Macri, a quem acompanhará numa homenagem a vítimas da última ditadura (1976-1983) amanhã, quando o golpe militar completa 40 anos.

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Rodrigo Cavalheiro,
CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

23 Março 2016 | 05h00

O líder americano, que será alvo de protestos em razão da ajuda americana aos militares, traz o compromisso de abrir documentos secretos do período de exceção. Grupos de defesa de direitos humanos esperam contar com dados da CIA, do FBI e dos departamentos do Tesouro e de Segurança Interna para encontrar desaparecidos e seus filhos.

Em 2000, 4.600 documentos do Departamento de Estado americano foram divulgados numa negociação entre os governos de Fernando de la Rúa e Bill Clinton. “Naquele lote, descobriu-se que Henry Kissinger tinha dito em 1976 ao almirante argentino César Guzzetti ‘quanto mais rápido tenham êxito, melhor’”, disse ao Estado Guillermo García, então porta-voz do chanceler argentino Adalberto Rodríguez Giavarini.

Na época cogitou-se de que o democrata Clinton tinha interesse em expor o apoio do republicano Kissinger ao golpe. O democrata Jimmy Carter, que governou simultaneamente ao regime argentino, é reconhecido como um dos que mais ajudou a reconstituir o período. 

Obama encaixou a passagem pela Argentina após sua viagem a Cuba para apoiar Macri, com quem se reunirá hoje pela manhã. A abertura econômica e a ênfase com que o argentino pede a libertação de presos políticos na Venezuela foram elogiadas por Obama, que se referiu à antecessora, Cristina Kirchner, como antiamericana. 

Obama dará uma palestra à tarde a jovens empreendedores em um centro cultural no bairro da Boca, antes de um jantar oficial. A recepção, para a qual foram convidados alguns opositores, será no Centro Cultural Kirchner. 

Enquanto Obama visitar amanhã de manhã o Parque da Memória, monumento onde com os nomes de 10,7 mil dos 30 mil desaparecidos ou assassinados na ditadura, uma marcha na Praça de Maio repudiará o golpe e sua presença no país. Obama voa em seguida para Bariloche, onde passará o dia antes de partir para Washington.

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