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Na ONU, papa Francisco pede fim de armas nucleares e elogia acordo com o Irã

- Atualizado: 25 Setembro 2015 | 12h 58

No primeiro discurso que fez na sede da instituição, em Nova York, pontífice defendeu reformas no Conselho de Segurança e em instituições financeiras em prol dos países em desenvolvimento

(Atualizada às 12h45) NOVA YORK - Com um apelo enfático em favor da paz na Organização das Nações Unidas (ONU), o papa Francisco defendeu na manhã desta sexta-feira, 25, a total eliminação de armas nucleares e elogiou o acordo que tenta evitar a produção de bombas atômicas pelo Irã. "Uma ética e um direito baseados na ameaça de destruição mútua - e possivelmente de toda a humanidade - são contraditórios e constituem uma fraude a toda a construção das Nações Unidas, que passariam a ser 'nações unidas pelo medo e a desconfiança", afirmou o pontífice em seu primeiro discurso na sede a instituição, em Nova York.

O papa lamentou os conflitos armados no Oriente Médio e na África, marcados pela perseguição a cristãos e outros grupos étnicos e culturais e de membros da religião majoritária que não se deixam envolver "pelo ódio e a loucura".

Na sede da ONU, em Nova York, o papa Francisco se encontrou com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon

Na sede da ONU, em Nova York, o papa Francisco se encontrou com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon

O papa não se referiu ao Irã de maneira expressa, mas sim a um "recente acordo sobre a questão nuclear em uma região sensível da Ásia e Oriente Médio". Em sua opinião, o entendimento é uma prova das "possibilidades de boa vontade política e do direito, exercitados com sinceridade, paciência e constância". Francisco fez votos de que o compromisso seja duradouro e produza os resultados esperados pelos envolvidos.

O acordo sobre o programa nuclear da República Islâmica foi negociado pelo Irã com um grupo de seis potências mundiais: Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Grã-Bretaha. Teerã se comprometeu a reduzir o número de centrífugas em operação no país e a limitar o grau de enriquecimento de urânio a 3,67%, insuficiente para a construção de armas nucleares. Em troca, serão levantadas sanções internacionais impostas ao país.

"É necessário empenhar-se por um mundo sem armas nucleares, aplicando plenamente o Tratado de Não-Proliferação, em sua letra e seu espírito, na direção da total proibição desses instrumentos", ressaltou o pontífice.

Francisco conclamou os líderes mundiais a refletirem sobre as consequências devastadoras dos confrontos globais e a olharem a face humana de suas vítimas. "Nas guerras e conflitos há seres humanos singulares, nossos irmãos e irmãs, homens e mulheres, jovens e velhos, meninos e meninas, que choram, sofrem e morrem."

Além de condenar os conflitos, o papa criticou intervenções militares realizadas sem coordenação com os demais membros da comunidade internacional. Segundo ele, consequências destruidoras desse tipo de ação estão presentes no Oriente Médio e na África, onde se vê perseguição religiosa, mortes e destruição do patrimônio cultural. Nessas regiões, lembrou, muitos foram obrigados a fugir ou a "pagar sua adesão ao bem e à paz com a própria vida ou a escravidão". 

O papa nos EUA
AFP PHOTO/EDUARDO MUNOZ ALVAREZ
O papa nos EUA

As cidades visitadas pelo pontifíce são Nova York, Filadélfia e Washington

Reformas. O papa Francisco também defendeu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e das instituições financeiras multilaterais, com o objetivo de incluir todas as nações em seus processos decisórios. "Isso ajudará a limitar todo o tipo de abuso e usura sobre os países em vias de desenvolvimento", declarou o líder da Igreja Católica.

"Os organismos financeiros internacionais devem velar pelos desenvolvimento sustentável dos países e a não-submissão asfixiante destes a sistemas creditícios que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência", afirmou Francisco.

Segundo ele, a experiência da ONU nos últimos 70 anos demonstra a necessidade de adaptação, para conceder a todos os países participação "real e equitativa" nas decisões. "Tal necessidade de maior equidade vale especialmente para os corpos com efetiva capacidade executiva, como o Conselho de Segurança, os organismos financeiros e os grupos ou mecanismos criados especialmente para afrontar a crise econômica."

Há anos, o Brasil pleiteia uma cadeira entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que possuem direito de veto nas decisões. Atualmente, o grupo é formado por apenas cinco nações: Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha.

Ao lado de outros países em desenvolvimento, o Brasil também defende a reforma dos organismos financeiros multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, com ampliação do direito de sua participação e poder decisório.

O FMI aprovou o aumento das quotas de países em desenvolvimento em 2010, mas até hoje o Congresso dos Estados Unidos não ratificou a alteração. Sem isso, é impossível implementá-la, porque a decisão precisa ser aprovada por 85% dos votos do Fundo. Com participação de 16,4%, os EUA detêm poder de veto.

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