Na véspera de protesto, Maduro ameaça opositores com prisão

Presidente venezuelano se defendeu das acusações de autoritarismo repetindo que ofereceu diálogo, mas não foi ouvido

Felipe Corazza, enviado especial a Caracas, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2017 | 15h29

Um dia antes de novos protestos marcados pela oposição para Caracas e outras cidades do país, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fez uma ameaça velada aos líderes dos movimentos contra ele e contra os parlamentares que controlam a Assembleia Nacional (AN). Segundo o líder chavista, "em qualquer outro país estariam presos com várias condenações à prisão perpétua". 

No pronunciamento feito neste domingo, 30, Maduro disse que os opositores são responsáveis pela violência que tomou conta dos protestos que já ocorrem no país há um mês. "Invadiram hospitais, queimaram ambulâncias", acusou o chavista. "Chamam ao desrespeito à lei, ao desrespeito às autoridades, perderam os últimos resquícios de racionalidade política."

O líder chavista se defendeu das acusações de autoritarismo repetindo que ofereceu diálogo aos opositores, mas não foi ouvido. Maduro também prometeu que as eleições para governos estaduais e municipais serão realizadas neste ano, mas com uma ressalva: antes, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) precisa "abandonar os atos violentos" nas ruas.

O presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, por sua vez, acusou Maduro de planejar um "autogolpe" para se manter no poder com a convocação de uma "constituinte comunal". A escolha dos integrantes da comissão não seria pelo voto popular, mas sim pelos Conselhos Comunitários, compostos por chavistas. 

Os governistas também convocaram uma grande manifestação para marcar o feriado do Dia do Trabalhador em Caracas. Segundo líderes dos partidos que formam a coalizão chavista Grande Polo Patriótico (GPP), há uma tentativa de golpe de Estado em curso, coordenada pelos Estados Unidos, contra Maduro. 

"As mobilizações políticas desta segunda-feira refletirão a aguda polarização existente em nosso país", afirmou ao Estado o dirigente do Partido Comunista da Venezuela (PCV), Pedro Eusse. Deputado integrante da minoria governista na atual composição da AN, Eusse acredita que o presidente tenha de tratar de sanar as divisões internas de seu grupo se quiser sobreviver no poder. "É preciso que Maduro e a direção do PSUV (principal partido do chavismo) entendam a importância da unidade real das forças políticas e sociais no processo bolivariano", avaliou.

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