Reprodução/skierka.de
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Naty Revuelta, um dos amores de Fidel Castro, morre aos 89 anos

Socialite esvaziou contas bancárias e penhorou joias para apoiar os planos revolucionários de Fidel; Alina, filha dos dois, se exilou nos anos 90

O Estado de S. Paulo

02 Março 2015 | 22h34

HAVANA - A socialite cuabana Natalia Revuelta, que esvaziou suas contas bancárias e vendeu suas joias para apoiar os planos revolucionários de Fidel Castro, morreu aos 89 anos em Havana. Natália e Fidel tiveram um romance nos anos 50 do qual nasceu Alina, que hoje vive no exílio.

A morte da Natália ocorreu na sexta-feira, mas só foi confirmada ontem por Carmen García, cuidadora que vivia com ela havia quase duas décadas. Carmen disse à Associated Press que Natália foi cremada em uma cerimônia familiar íntima.

Por telefone, a antropóloga Natalia Bolívar, amiga da socialite cubana, afirmou à AP que Natália estava doente desde que sofreu uma queda e passou por uma cirurgia. Nos últimos tempo, sua saúde havia se deteriorado.

Naty, como era chamada por seus amigos e parentes, tinha 26 anos quando se envolveu com Fidel, então com 25 anos. "Era uma mulher com uma das belezas mais raras de Cuba e com uma atração pela Revolução e pela aventura", escreveu a colunista americana Georgie Anne Geyer.

"Loira, olhos verdes, voluptuosa e sempre com humor exuberante, Naty era o tipo de mulher que atraía a atenção e deixava todos sem palavras quando entrava uma sala", escreveu Geyer no livro Guerrilla Prince: The Untold Story Of Fidel Castro (Príncipe da Guerrilha: A História não contada de Fidel Castro, em tradução livre) sua biografia do ex-presidente cubano.

Nascida em 6 de dezembro de 1925, Naty era filha única de pais separados. Tinha 10 anos quando sua mãe casou-se novamente com um executivo da empresa americana Electric Company. Ela estudou em um colégio para meninas católicas na Pensilvânia.

Casada com o cirurgião Orlando Fernández, quase 20 anos mais velho, começou a participar das reuniões do Partido Ortodoxo depois de entediar-se com a vida na alta sociedade cubana. Fidel, membro do partido, era casado com Mirta Díaz-Balart. Os dois se conheceram em um protesto para lembrar a morte de estudantes independentistas, em 27 de novembro de 1952.

Naty entregou cerca de 6 mil pesos cubanos - equivalentes a mesma quantidade em dólar - e penhorou suas joias para ajudar a causa revolucionária. Ela também ajudou nos preparativos do ataque ao Quartel Moncada, o primeiro contra a ditadura de Fulgencio Batista. No entanto, o fracasso do plano levou Fidel para a prisão. Nessa época, os dois já trocavam cartas de amor.

Quando Fidel foi anistiado, em 1955, passou 53 dias em Havana antes de ser enviado para o exílio, no México. Nesse período, Natália engravidou, mas não contou para ele. Quando Fidel ficou sabendo, pediu que Naty fosse para o México para se casar com ele, mas a socialite rejeitou o pedido. Em março de 1956 nasceu Alina Fernández Revuelta, que foi registrada com o sobrenome do marido de Naty.

A jovem só descobriu quem era seu pai biológico aos 12 anos, mas se recusou a conhecer Fidel, como ela mesma contou em um livro de memórias publicado nos anos 90. Alina deixou Cuba em 1993 disfarçada de turista espanhola e converteu-se em uma dura crítica do governo dos irmãos Castro.

Em uma entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Naty afirmou que Fidel sempre "colocou seu projeto (revolucionário) muito acima de sua vida privada" e admitiu que levou muitos anos para tirá-lo de seu coração. / AP

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