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Negociação de Sean Penn com 'El Chapo' para entrevista será investigada pelos EUA

Fonte do governo americano afirma que o México está pressionando Washington, que solicitou a extradição do narcotraficante, para obter mais informações sobre o caso

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O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2016 | 15h26

NOVA YORK / WASHINGTON - Investigadores dos Estados Unidos analisarão as interações do ator Sean Penn com Joaquín "El Chapo" Guzmán, disseram duas fontes do governo americano, mas não está claro se os promotores tentarão forçar o ator a entregar informações sobre sua entrevista com o traficante recapturado pela polícia mexicana.

De acordo com uma fonte do governo americano, que pediu anonimato pois não está autorizada a falar publicamente sobre o caso, o México está pressionando o governo dos EUA –que solicitou a extradição de Guzmán – para obter mais informações sobre a relação de Penn com o chefe do cartel de Sinaloa.

A revista Rolling Stone apressou a publicação de uma reportagem assinada por Penn para sábado passado, após autoridades mexicanas capturarem Guzmán em uma incursão dramática, finalizando uma caçada humana que durou meses, iniciada após a fuga do traficante de uma prisão de segurança máxima em julho.

Acredita-se que a única entrevista que o traficante concedeu nas últimas décadas tenha sido negociada com a ajuda da estrela mexicana de televisão Kate del Castillo.

A Procuradoria-Geral do México disse na segunda-feira que seu escritório tem uma linha aberta de investigação para a reunião de Penn com Guzmán, afirmando que o encontro entre ambos - descoberto pela vigilância mexicana - foi um elemento "essencial" para a prisão do traficante.

Se as autoridades americanas, em última análise, intimarem Penn ou desejarem que ele testemunhe contra Guzmán, seria difícil forçá-lo a revelar fatos além da entrevista publicada, uma vez que ele poderia invocar "privilégio jornalístico", que em alguns casos protege os repórteres de divulgarem informações sobre seu trabalho, afirmaram advogados especialistas em mídia dos EUA.

Fontes do governo americano não puderam confirmar se Penn será ou não intimado. O pedido de extradição de Guzmán para os Estados Unidos visando enfrentar acusações federais ainda está em estágio inicial e, segundo o México, esse processo pode levar anos.

Representantes de Penn não quiseram comentar o caso. O ator disse à agência de notícias Associated Press, em uma breve conversa por e-mail, que ele não tem "nada a esconder".

Além de exigir o testemunho de Penn ou que ele entregue informações, seria extremamente improvável que as autoridades americanas tivessem motivos para acusar Penn criminalmente, afirmam fontes.

A menos que Penn tenha, de alguma forma, ajudado e encorajado Guzmán, o premiado ator não teria o dever de divulgar às autoridades que estava falando com um fugitivo, afirmaram especialistas legais. / REUTERS

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