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Karam Al-Masri|AFP

Negociações de paz sobre Síria serão retomadas na sexta

Essa será a terceira tentativa em cinco anos de guerra; mediador da ONU afirma que primeira meta é estabelecer um 'cessar-fogo'

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JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE / GENEBRA ,
O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2016 | 17h40

Num esforço diplomático para colocar fim a uma guerra que já dura cinco anos, a ONU lançará na sexta-feira, 29, em Genebra, uma negociação de paz envolvendo os diferentes grupos de oposição, governos da região, sociedade civil e o regime de Bashar Assad. Mas os diferentes atores até agora não entraram em um acordo sobre quem deve ser declarado como "grupo terrorista", um obstáculo que pode minar o projeto e já fez com que a iniciativa fosse adiada em outras ocasiões.

Hoje, cartas de convites serão enviados pelo mediador da ONU, Staffan de Mistura. O diplomata afirma que a primeira meta será o de estabelecer um cessar-fogo imediatto. Segundo Mistura, a primeira etapa do processo negociador deve levar de duas a três semanas e, no total, a iniciativa deverá ser mantida por seis meses, até que um governo de transição possa assumir o país.

O mediador se recusou a revelar quem será convidado e, num primeiro momento, cada ator no processo se encontrará apenas com ele, em uma ala do prédio da ONU que será blindada de qualquer tipo de acesso. Desde 2011, esse será o terceiro projeto de negociação de paz lançado para acabar com uma guerra que já fez 260 mil mortos e 12 milhões de refugiados.

Mas Mistura insiste que não poderá repetir os erros da Conferência de Paz Genebra 2, como ficou conhecido o fracassado projeto anterior. O processo, em 2014, naufragou diante do impasse sobre qual deveria ser o destino de Assad em um eventual governo de transição. "Isso não será Genebra 3", garantiu.

Entre as potências internacionais e regionais, também não existe um acordo sobre quem deve fazer parte do processo. O governo turco alertou ontem que nenhum grupo curdo deveria ser convidado, uma exigência de Moscou. Já a Rússia continuará a bombardear alvos inimigos de Assad, sob o argumento de lutar contra o Estado Islâmico. O chanceler Serguei Lavrov indicou que vai continuar ainda a considerar as duas milícias apoiadas pelos países do Golfo e pela Turquia como grupos terroristas, o que os excluiria das negociações.

Outra questão em aberto será como aplicar um cessar-fogo, enquanto o Conselho de Segurança continua a autorizar ataques contra o EI, que controlam um terço do território. Questionado pelo Estado sobre isso, Mistura admitiu : "Essa vai ser uma questão crucial". A tensão entre iranianos e sauditas também é complicador extra, admitem negociadores. 

Mas o secretário de Estado americano, John Kerry, garante que a negociação vai adiante. "Vamos ter a reunião e a negociação vai começar", garantiu. O governo sírio indicou no fim de semana que não fará concessões, enquanto a oposição se queixa de que está sendo obrigada a negociar, sem a garantia de que Assad será removido.

Kerry, porém, alerta que a Casa Branca não vai mais empurrar a queda imediata do governo como pré-condição para a negociação. "Cabe aos sírios decidirem qual será o futuro de Assad", disse.  

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