Nepal inicia votação histórica; o exército culpa rebeldes maoistas por explosões

Nepal inicia votação histórica; o exército culpa rebeldes maoistas por explosões

Pequenos ataques foram atribuídos a grupos rebeldes, forças de segurança já desarmaram cerca de 30 dispositivos desde sexta-feira

O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2017 | 04h09

KATMANDU - Os nepaleses começaram a votar para eleger um novo parlamento neste domingo, 26, com o exército em alerta após uma série de pequenas explosões que foram atribuídas a um grupo dissidente maoista. 

Mais de uma década após o fim de uma guerra civil entre guerrilheiros camponeses maoistas, o Nepal espera que esta eleição - a primeira votação para o Parlamento desde 1999 - complete a longa jornada de uma monarquia para se tornar uma república federal. Um segundo turno da eleição deve ocorrer no dia 7 de dezembro, e a comissão eleitoral disse que os resultados finais provavelmente não serão conhecidos por vários dias por causa dos complicados procedimentos de contagem. 

Um grupo dissidente maoista estaria por trás de uma série de pequenas explosões às vésperas da eleição. As forças de segurança teriam desarmado cerca de 30 dispositivos explosivos improvisados desde sexta-feira, segundo informou o porta-voz do exército, Nain Raj Dahal. 

Suresh Balsami foi o primeiro eleitor no centro de votação de Kagatigaun perto da capital, Katmandu. "Votei para a paz, o desenvolvimento e a prosperidade do país", disse o motorista de ônibus de 32 anos, enquanto outros eleitores começaram a chegar.

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O Nepal votou em 2008 e 2013 para uma Assembleia Constituinte, que dobrou o número de cadeiras do Parlamento, para escrever uma carta de pós-monarquia que trilharia o caminho para se tornar uma república federativa. Mais de 15 milhões de eleitores elegíveis escolherão uma legislatura de 275 membros, a primeira sob uma nova constituição acordada após anos de disputa. Simultaneamente, os eleitores escolherão representantes para sete assembleias provinciais pela primeira vez desde que o Nepal aboliu a monarquia em 2008. 

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O partido centrista do Congresso nepalês, considerado um grupo pró-Índia, formou uma frouxa aliança eleitoral com os partidos Madhesi das planícies do sul do país que fazem fronteira com a Índia e ex-monaquistas. Ele enfrenta uma bem costurada aliança de coalizão de esquerda entre os ex-rebeldes maoístas e o principal partido oposicionista, o comunista UML, visto como mais próximo da China. 

Índia e a China esperam se beneficiar do resultado das eleições, pois o Nepal tem potencial como fonte de energia hidrelétrica.

Lar do Monte Everest, o país é um dos mais pobres do mundo e depende do turismo e da ajuda internacional. Mais de um quinto dos seus 28 milhões de pessoas sobrevive com menos de US$ 1,90 por dia, e partes do país ainda se recuperam do devastador terremoto que matou 9 mil pessoas em 2015. /REUTERS

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