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Netanyahu enfrenta críticas em Israel após cessar-fogo com Hamas

O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2014 | 15h 02

Primeiro-ministro israelense afirmou que trégua permite respostas mais duras a qualquer 'faísca de foguete' disparada de Gaza

Dan Bality/AFP
O primeiro-ministro Israelense, Benjamin Netanyahu

O cessar-fogo ilimitado na Faixa de Gaza continuou a ser obedecido nesta quarta-feira, 27, enquanto o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, enfrenta críticas em razão do conflito contra militantes palestinos.

Nas ruas da região dominada pelo Hamas, pessoas aproveitavam para ir às lojas e aos bancos, na tentativa de retomar um ritmo de vida normal após sete semanas de confrontos. Milhares de outros moradores, que fugiram do conflito e se abrigaram com parentes ou em escolas, retornaram para casa, mas alguns encontraram apenas escombros.

Em Israel, as sirenes de alerta para foguetes vindos da Faixa de Gaza ficaram em silêncio, mas membros da coalizão de governo de Netanyahu demonstraram decepção com a atuação do premiê durante o mais longo confronto violento entre israelenses e palestinos em uma década.

Não toleraremos nem uma faísca de foguete disparada contra qualquer parte de Israel

"Após 50 dias de guerra, na qual uma organização terrorista matou dezenas de soldados e civis, destruiu a rotina diária e colocou o país em um estado de dificuldade econômica poderíamos esperar muito mais do que o anúncio de um cessar-fogo", escreveu o analista Shimon Shiffer no Yedioth Ahronoth, jornal mais vendido de Israel. "Poderíamos esperar que o primeiro-ministro fosse à residência do presidente e informasse a ele sobre sua decisão de renunciar a seu cargo."

Netanyahu, que enfrenta constante pressão de ministros direitistas em seu gabinete por uma ação militar para retirar o Hamas do poder na Faixa de Gaza, afirmou que após o acordo de trégua mediado pelo Egito as respostas contra qualquer foguete disparado de Gaza serão mais duras.

"Não toleraremos nem uma faísca de foguete disparada contra qualquer parte de Israel. Vamos responder com mais vigor do que antes", afirmou o premiê.

Autoridades de saúde palestinas disseram que 2.139 pessoas, a maioria civis, incluindo mais de 490 crianças, foram mortas no conflito desde 8 de julho, quando Israel lançou uma ofensiva com o objetivo de interromper o lançamento de foguetes. O número de mortos em Israel foi de 64 soldados e seis civis.

O acordo de cessar-fogo prevê uma interrupção sem prazo das hostilidades, a imediata abertura das passagens da Faixa de Gaza com Israel e o Egito e o alargamento da área de pesca do território no Mediterrâneo.

Numa segunda etapa da trégua, que deve começar em um mês, israelenses e palestinos começariam a discutir sobre a construção de um porto marítimo na Faixa de Gaza e a libertação de prisioneiros do Hamas na Cisjordânia ocupada, possivelmente em troca dos corpos de dois soldados israelenses que provavelmente tenham sido capturados pelo Hamas, disseram autoridades.

Israel tem dito nas últimas semanas querer a completa desmilitarização da Faixa de Gaza. Os EUA e a União Europeia apoiaram a meta, mas não ficou esclarecido o que isso significaria na prática. O Hamas rejeitou a proposta como impraticável.

Declarações. Tanto o Hamas como Israel emitiram comunicados após o cessar-fogo considerando terem saído vitoriosos do conflito. "Na terra da orgulhosa Gaza, o povo unido conquistou vitória absoluta contra o inimigo sionista", disse o Hamas.

Israel afirmou ter desferido um duro golpe contra o Hamas, matando vários de seus líderes militares e destruindo túneis usados pelo grupo para atravessar a fronteira. "O braço militar do Hamas foi gravemente atingido, sabemos disso claramente por meio de inequívocos dados de inteligência", disse Yossi Cohen, conselheiro de segurança nacional de Netanyahu, à estação Army Radio. / REUTERS