REUTERS/Carlos Jasso
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No México, enviados dos EUA negam deportação em massa e uso de militares

Secretários americanos John Kelly, de Segurança Interna, e Rex Tillerson, de Estado, se reúnem com autoridades do governo mexicano para tentar melhorar a relação entre os dois países, abalada pela política migratória anunciada por Donald Trump

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2017 | 21h24

Responsável pela implementação da política de imigração americana, o general John Kelly tentou nesta quinta-feira, 23, tranquilizar estrangeiros que estão em situação irregular nos EUA. Em visita ao México, ele afirmou que não haverá deportações em massa, que todas as expulsões seguirão procedimentos legais e os militares não estarão envolvidos nas operações.

As declarações pareciam estar em contradição com as realizadas poucas horas antes em Washington por Donald Trump. “Nós estamos retirando os caras realmente maus desse país e em um ritmo que ninguém nunca viu antes”, disse o presidente. “E é uma operação militar.” O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que Trump usou a expressão como um “adjetivo” para descrever ações que tenham “precisão” e não se referia a uma operação realmente militar. 

“Não haverá nenhum uso de força militar na imigração”, afirmou Kelly, que é secretário de Segurança Doméstica. “Não haverá - repito, não haverá - deportações em massa”, ressaltou, depois de encontro com ministros do México, do qual também participou o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

Os dois emissários de Washington viajaram ao país vizinho para discutir a questão migratória depois da divulgação, na terça-feira, de diretrizes que ampliam o universo de estrangeiros em situação irregular que serão alvos prioritários nas deportações. “Nós não concordamos com as diferentes medidas recentemente adotadas pelos EUA que afetam o México”, declarou o ministro do Interior do país, Osorio Chong, ao lado de Kelly e Tillerson. 

Os mexicanos representam cerca de metade dos 11 milhões de imigrantes que vivem de maneira irregular nos EUA. Muitos deles estão há mais uma década no país, onde trabalham na agricultura, na construção civil, em serviços domésticos, em restaurantes e hotéis. 

Com as novas regras, virtualmente todos eles estão sujeitos à deportação. Trump revogou diretrizes do governo Barack Obama que dava prioridade à retirada do país de estrangeiros sem documentos que haviam cometido crimes graves. Agora, a violação das leis migratórias, o fornecimento de informações falsas ao governo e a prática de qualquer tipo de crime serão suficientes para colocar alguém na lista de prioridades.

O único grupo poupado são os que entraram nos EUA com menos de 16 anos, desde que o ingresso tenha ocorrido até 2007. As novas regras mantêm a diretriz que protege os pais de cidadãos ou residentes legais que tenham ingressado no país antes de 2010, mas a medida é inócua porque a decisão de Obama foi suspensa pelo Judiciário. Analistas acreditam que a determinação foi mantida para permitir que ela seja revogada de maneira definitiva na decisão final do caso pela Justiça.

Na quarta-feira, o México rejeitou a intenção dos EUA de enviar ao país todas as pessoas que tenham ingressado em território americano por sua fronteira, independentemente de suas nacionalidades.

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