Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

No segundo turno da eleição no Chile, partidos liberam voto

Partidos Humanista e Verde vão deixar que eleitores votem em quem quiserem

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 21h00

A campanha eleitoral para o segundo turno da eleição presidencial no Chile começa oficialmente somente domingo, mas as articulações políticas em busca de apoios para a sucessão da presidente Michelle Bachelet seguem a todo vapor nos comitês de campanha de Sebastián Piñera (Chile Vamos) e Alejandro Guillier (Força da Maioria). 

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Enquanto Piñera muda o rumo da campanha de candidato da direita em busca do eleitorado “de centro”, pelo menos 2 partidos da coligação da terceira colocada no primeiro turno, Beatriz Sánchez (Frente Ampla), aliança de 13 correntes políticas, já anunciaram que não vão apoiar ninguém no dia 17.

O Partido Humanista (PH) e os Ecologistas Verdes decidiram liberar seus eleitores para que votem livremente, ignorando uma eventual vinculação com Guillier, que era mais esperada. “Cada uma das 1,3 milhão de pessoas que votaram em Beatriz Sánchez deve refletir e tomar a própria decisão”, explica o PH no comunicado divulgado sobre a posição individual do partido sobre o segundo turno. Os humanistas criticam Piñera, mas alegam que também não confiam em Guillier.

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De acordo com fontes da Frente Ampla, a posição da candidata da coligação e dona de mais de 1,3 milhão de votos no dia 19 (20% do eleitorado) deve ser anunciada somente amanhã. A jornalista Sánchez, ex-colega de Guillier, um senador que também fez carreira no jornalismo chileno, tem mantido silêncio durante o processo de consultas internas da Frente Ampla. Com uma nova bancada legislativa de 20 deputados e 1 senador, alcançada pela votação liderada por Sánchez, ela é considerada a terceira força política chilena capaz redesenhar o mapa de poder no país.

Durante a campanha, porém, os dois tiveram posições divergentes, por exemplo, sobre a política de aposentadorias do país, que os chilenos querem reformar. Sánchez quer alterações com as quais Guillier não concorda, como o fim da AFP, a poderosa estrutura de gestão dos recursos dos fundos de pensões dos chilenos.

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Centro. Em busca do eleitorado centrista, Piñera tem prometido que adotará medidas sociais nas áreas de saúde e educação que estavam em programas de ex-adversários, como Carolina Goic, candidata pela Democracia-Cristã (DC) que depois da derrota no primeiro turno abandonou a presidência do partido, mas fez questão de deixar claro sua rejeição ao candidato da direita e seu apoio pessoal a Guillier. “São planos de ação inspirados por outros candidatos, mas que coincidem e complementam os nossos”, diz Piñera, justificando o ajuste de posição. 

À espera das definições de eventuais apoios que podem lhes garantir a entrada em La Moneda, em março, os dois principais candidatos mantêm guerra de bastidores. Piñera tem acusado o governo da presidente Michelle Bachelet (PS), que apoia Guillier, de interferir no processo usando a máquina pública federal. Bachelet se defende e nega “ingerências eleitorais”. Fontes do governo acusam Piñera de desespero por não ter levado a eleição no primeiro turno, como esperavam aliados do ex-presidente. As pesquisas de opinião lhe davam uma dianteira de mais de 20 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

Com a baixa participação eleitoral, em torno de 46,2%, cada voto parece ser vital. Até os 267 mil imigrantes com mais de 18 anos e cinco anos de residência no país, que têm direito a voto, estão sendo chamados. Segundo a Fundação Frè, de Santiago, que trabalha com estrangeiros no Chile, os imigrantes são 1,9% do eleitorado e devem comparecer também no segundo turno.

APERTADO. A disputa pela presidência do Chile está empatada. É o que aponta uma pesquisa de opinião eleitoral do Instituto Cadem, divulgada ontem. O candidato da direita, Sebastião Piñera, aparece com 39,8% das intenções de votos e Alejandro Guillier, do centro esquerda, com 37,3%. Os indecisos são 22,9%.

 

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