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Internacional

Estados Unidos

Nobel de Física proíbe armas em suas aulas na Universidade do Texas

Steven Weinberg disse que não acatará lei aprovada pelo legislativo estadual que permitirá - a partir do próximo ano letivo - que estudantes portem armas nas salas de aula e em vias públicas

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O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2016 | 16h37

AUSTIN - Um professor da Universidade do Texas, nos EUA, que recebeu o Nobel de Física em 1979 anunciou que não permitirá que seus estudantes participem das aulas armados, como prevê uma polêmica lei que entrará em vigor no próximo ano letivo.

A recusa de Steven Weinberg, de 82 anos, em acatar a lei, expressada na segunda-feira em um Conselho da Universidade, suscitou apoio de colegas, pais de alunos e de funcionários do restaurante da Universidade, mas também a reação dos congressistas que promoveram a iniciativa.

"Minha preocupação é a segurança, mais do que qualquer outra coisa", disse Weinberg, atualmente o único Nobel que a Universidade do Texas tem em seu quadro de professores.

Esta controvertida lei foi aprovada há alguns meses nas duas câmaras legislativas do Texas, controladas pelos republicanos, dentro de um conjunto de medidas que também incluem o livre porte de armas na via pública.

A Universidade do Texas, pública e uma das maiores e mais prestigiadas do país, é a principal afetada pela norma já que as instituições privadas podem optar por não implementar a lei, algo já feito pela maioria.

Em dezembro, um comitê recomendou ao reitor da Universidade do Texas, Gregory Fenves, manter as residências estudantis, eventos esportivos e alguns laboratórios científicos como zonas livres de armas, mas não as aulas.

O presidente desse comitê e professor de Direito, Steven Goode, disse que após estudar a lei, concluiu que proibir as armas nas aulas será uma violação da mesma.

Assim também afirmou Ken Paxton, Procurador-Geral do Texas e máxima autoridade legal do Estado. O senador Brian Birdwell, promotor da lei, disse que proibir as armas nas aulas seria contra o espírito da lei, que paradoxalmente procura proteger os universitários de possíveis tiroteios.

Weinberg disse que se manterá firme em sua decisão, apesar de poder ser processado por algum estudante ou pelo Estado, embora tenha ameaçado se aposentar caso seja obrigado a aceitar armas em suas aulas.

Além disso, o professor alertou à Universidade sobre as futuras dificuldades para atrair estudantes e professores. "Há uma galáxia de universidades na Costa Leste e na Califórnia. Estamos longe dessa concentração de talento e não há nada que possamos fazer a respeito, mas se a essa desvantagem acrescentarmos armas nas aulas, será duplamente difícil que venham".

Ironicamente, a nova legislação entrará em vigor no 50º aniversário do dia mais triste da história da Universidade: um massacre protagonizado por um estudante que deixou 14 mortos e 30 feridos no campus de Austin. / EFE

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