Jewel SAMAD/AFP
Jewel SAMAD/AFP

Nos EUA, resultado de eleição é prova da impopularidade de Trump

Com aprovação em baixa, presidente influencia na derrota dos candidatos de seu partido em pleito fora do calendário eleitoral

Jonathan Bernstein / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 05h00

Ganhar eleições fora do calendário eleitoral não significa nem de longe vencer eleições presidenciais nem intermediárias. Mas as de terça-feira, sem dúvida, foram pontos conquistados pelos democratas. Eles não poderiam ter se saído melhor. 

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Ganharam os governos de New Jersey e da Virgínia e conquistaram mais cadeiras na Assembleia da Virgínia do que se esperava. Também parecem ter ganhado uma cadeira em disputa no Senado estadual de Washington, conquistando maioria na Casa. Levaram mais três cadeiras legislativas em New Jersey, ampliando sua maioria. Conquistaram ainda três cadeiras legislativas nas eleições especiais da Geórgia e uma na especial de New Hampshire. Sem contar várias grandes prefeituras e o principal referendo da noite, expandindo o Medicaid no Maine, e cargos em disputa em quase todos os municípios.

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Os republicanos mantiveram a única cadeira em disputa na Câmara dos Deputados, por Utah. No restante, foi uma lavada. A Virgínia é agora um sólido Estado democrata e New Jersey, um Estado extremamente democrata. É preciso também destacar que os republicanos já atingiram um pico histórico em quase toda parte, não surpreendendo, portanto, que os democratas venham a reconquistar mais algumas cadeiras. 

Um partido no poder frequentemente se sai mal em eleições intermediárias, mesmo quando o presidente é popular. Não é o caso de Donald Trump. Ele é o presidente mais impopular em primeiro ano de mandato desde o começo da era das pesquisas. 

Um ano após vitória, Trump vê queda em popularidade e economia em alta

Mesmo que algumas eleições específicas surpreendessem, o resultado geral não surpreendeu. Tudo que temos visto nos últimos nove meses indica que a energia dos democratas está em alta. Eles estão arrebanhando montes de candidatos, enquanto Trump só faz puxar candidatos para baixo. Os democratas conquistam mais e mais cadeiras legislativas estaduais, ultrapassando suas margens . 

Há inúmeras análises a respeito, mas a verdade é simples: isso ocorre quando um presidente é impopular. O que, então, podem fazer os republicanos? Excluída a hipótese de uma máquina do tempo levar de volta à primavera de 2016, eles estão entre a cruz e a espada. Colando-se a Trump, dão força aos democratas e alienam potenciais eleitores que já o rejeitaram. Afastando-se de Trump, derrubarão ainda mais o índice de aprovação do presidente, o que continuaria a fortalecer os democratas e abalaria a confiança no Partido Republicano. 

Mas os problemas não param aí. Os republicanos não têm uma reserva de medidas políticas populares que possam aprovar e pôr em prática. Não podem recuar de seu impopular projeto fiscal, de alta prioridade para a elite partidária e para doadores, que esperam do Congresso republicano a aprovação do plano. O que eles podem fazer é se aferrar às políticas econômicas que, acreditam, vão produzir bons resultados, e esperar que isso seja o suficiente para estabilizar o apoio ao partido ou mesmo melhorá-lo. Suponho que tenham esperanças de que Trump aprenda a se comportar de modo a não afastar de si metade da nação, mas isso é improvável. 

Embora os resultados de terça-feira não prenunciem nada além do que já saibamos, eles terão efeitos eleitorais. Quanto mais gente de ambos os partidos acreditar que 2018 será um bom ano para os democratas, mais recursos fluirão para as campanhas de seus candidatos. Dois deputados republicanos anunciaram que estão se aposentando. Se existem mais republicanos no Congresso ou em governos estaduais ou locais em dúvida sobre se candidatar de novo ou não, os resultados dessas eleições podem ser o suficiente para convencê-los a não tentar se candidatar de novo. 

Tudo considerado, foi um grande dia para os democratas. Um dia que terá importantes implicações políticas não só nos Estados afetados, mas em todo o país. No entanto, mesmo confirmados os problemas dos republicanos, é melhor não comemorar demais resultados que serão certamente esquecidos antes de os eleitores voltarem às urnas, no ano que vem. 

Em tese, os republicanos ainda poderão se recuperar. Mas o que não está claro é se Trump será capaz de fazer o que tem de ser feito para ajudar ao partido e a si mesmo. /TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

* É JORNALISTA

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