EFE/MIGUEL GUTI?RREZ
EFE/MIGUEL GUTI?RREZ

Nos supermercados da Venezuela, o que Maduro barateia, some

Ordem para baixar preços acentua escassez de alimentos no país

O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 05h00

Já não há filas na Venezuela para comprar manteiga, queijo, presunto, algumas marcas de atum enlatado, requeijão, salsichas, massas importadas e bolachas, bem como de sabão para tomar banho e lavar roupa.

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Depois de o presidente Nicolás Maduro ordenar na sexta-feira que 26 redes de supermercados voltassem no tempo e remarcassem esses produtos com o preço que tinham um mês atrás, tais mantimentos desapareceram ontem das prateleiras.

A determinação do governo para baixar preços veio após saques e protestos por falta de comida, em especial da carne de porco, iguaria tradicional nas festas de fim de ano. O episódio conhecido como “revolta do pernil” foi classificado como sabotagem pelo presidente. 

No sábado, os supermercados alvo da decisão estatal amanheceram com filas. Por segurança, alguns permitiam a entrada de 10 clientes de cada vez e tinham agentes da Guarda Nacional Bolivariana na vigilância. 

A presidente do Conselho Nacional do Comércio e Serviços da Venezuela, María Carolina Uzcátegui, criticou a decisão e afirmou que o nível de desabastecimento aumentará. Ela reclamou que o governo também proibiu os comerciantes de aceitar mercadorias com preços novos. 

“Isso indiscutivelmente vai trazer como consequência desabastecimento na próxima semana. Não sabemos por quanto tempo os mercados serão obrigados a manter essa medida, mas é algo que afeta o fabricante e o produtor, toda a cadeia”. Segundo dados da associação de comerciantes, só em dezembro a inflação no país foi de 81%. A maior parte da economia venezuelana se move de maneira informal, pelo dólar no mercado negro. 

O Parlamento venezuelano, que teve as atribuições tomadas por uma Constituinte chavista mas formalmente ainda se reúne, sob controle da oposição, afirmou ontem em nota que o desabastecimento decorrente da medida de Maduro é politicamente interessante para o chavismo, pois permite ao governo ser o único ofertante de alguns produtos através de seus programas assistenciais. Na nota, os parlamentares alertam países como Brasil e Colômbia a estarem atentos a um aumento do fluxo migratório.

Petro

Em uma outra frente de sua chamada “batalha econômica” para buscar financiamento, o governo venezuelano deu detalhes sobre a criptomoeda petro, lançada por Maduro e respaldada por reservas de petróleo do país.

A moeda será negociada em um mês e meio. A primeira emissão será de 100 milhões de petros. Cada unidade vai equivaler ao valor de um barril de petróleo. A cotação venezuelana para o produto fechou em US$ 59 o barril, após uma média de US$ 46 em 2017. Analistas apostam que os indicadores ruins do país minam a possibilidade de êxito do petro. / AFP e EFE

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