?Cathal McNaughton/Reuters
?Cathal McNaughton/Reuters

Nova Délhi sofre há duas semanas com fumaça causada por poluição

Com nível tóxico dez vezes acima do recomendado, capital da Índia vive crise na saúde pública

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 06h09

Uma densa nuvem de poluição com níveis tóxicos quase dez vezes acima do recomendado envelopa a capital da ìndia, Nova Délhi, há quase duas semanas. A medição foi feita por um equipamento que mede a qualidade do ar, instalado na embaixada americana. Os serviços meteorológicos do país preveem que possa chover nos próximos três dias, o que ajudaria a dissipar o fenômeno. 

“Chuvas fracas devem ocorrer nos estados ao redor de Délhi e em Délhi ao longo dos próximos três dias, o que pode levar a uma alteração nos padrões de vento da região", disse Charan Singh, cientista do Departamento Meteorológico da Índia à agência Reuters. Segundo ele, a poluição deve começar a se dissipar a partir de amanhã.

O governo do estado de Délhi decretou estado de emergência na semana passada, por conta da crise na saúde pública, após o aumento súbito nos níveis de poluição, fenômeno que se repete anualmente, resultado da combinação de queimadas ilegais, fumaça de escapamentos e poeira. Durante o fim de semana, o governo disse que tentou usar caminhões para borrifar água em algumas partes da capital, mas a iniciativa não surtiu efeito. 

Um oficial do governo disse que não havia muito mais o que o governo pudesse fazer. “Só conseguimos fazer isso, e agora temos que esperar para que as chuvas limpem a atmosfera", disse Prashant Gargava, da Diretoria Central de Controle da Poluição, um órgão federal.

Gargava, responsável por monitorar a qualidade do ar, disse que o ar em Délhi tem sem mantido consistentemente em uma zona perigosa, apesar de medidas para tentar melhorar a situação, como a suspensão de construções e o aumento das tarifas para estacionamento (que cresceram 400%), em uma tentativa de aumentar o uso do transporte público.  

As partículas tóxicas no ar, chamadas de PM 2.5, são cercas de 30 vezes menores que um fio de cabelo humano. Elas podem ser absorvidas totalmente pelos pulmões, causando doenças respiratórias e outros transtornos. Hospitais na capital tiveram um aumento súbito no número de pacientes com problemas respiratórios, de acordo com a imprensa local.

“A cada segundo estamos danificando nossos pulmões, mas não podemos parar de respirar" disse Arvind Kumar, chefe de departamento de cirurgia no setor de pneumologia do hospital de Sir Ganga Ram, em Délhi.

A empresa aérea United Airlines disse que retomou voos de Nova Jérsei (EUA) para Nova Délhi no domingo, após ter suspendido o serviço temporariamente por conta da péssima qualidade do ar.

Os governos federal e estadual decidiram reabrir as escolas nesta segunda, que haviam sido fechadas por alguns dias na semana passada, devido à emergência. O temor é que a medida torne a agravar a qualidade do ar, por conta da quantidade extra de veículos nas ruas. Agências reguladores disseram que não foram capazes de impor restrições genéricas à circulação de caminhões.

Aarti Menon, professora em uma escola primária em Nova Délhi, disse que sua damília estava vestindo máscaras cirúrgigas até dentro de casa, durante o fim de semana. “Não é todo mundo que pode pagar por um carro com ar-condicionado. Estamos todos vivendo no inferno", disse ela, que é mãe de duas filhas.

O Tribunal Nacional Verde, um corte ambiental, ordenou que o governo de Délhi e dos estados ao redor forcem os fazendeiros a parar com as queimadas. No entando, os órgãos públicos ainda não obtiveram sucesso

A TARA Homes for Children ("Casas para crianças"), ONG com sede em Nova Délhi, que dá apoio a 60 crianças pobres, disse que estava buscando doações para adquirir ao menos cinco purificadores de ar. “Algumas crianças tem problemas respiratórios e não conseguiram ir à escola", disse uma voluntária da ONG. /Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.