Novartis oferece remédio popular contra malária

A Novartis, grupo farmacêutico suíço, assinou um acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) para fornecer o novo medicamento para tratar malária a preços reduzidos nos países mais pobres da África. A nova droga desenvolvida pela companhia, o Coartem, apresentou índices de cura acima de 95%, mesmo em áreas em que a doença apresenta alta resistência aos tratamentos tradicionais. O executivo-chefe da Novartis, Daniel Vasella, afirmou que o medicamento mata o parasita em menos de 48 horas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a malária, transmitida pelo mosquito Anopheles, mata 1 milhão das 300 milhões de pessoas afligidas pela doença por ano. A maioria dos óbitos, segundo a OMC, se dá entre crianças africanas com menos de 5 anos. A grande dificuldade para tratar a malária vem do crescente poder de resistência do parasita contra a maioria dos tratamentos disponíveis no mercado. Nos países da África Oriental e Central, o tratamento completo para adultos custará US$ 2,40, e consideravelmente menos para crianças, segundo o diretor-geral da OMC, Gro Harlme Brundtland. A droga já está disponível em alguns países ocidentais, onde o tratamento completo custa em torno de US$ 40. Os remédios serão vendidos por cerca de US$ 12 em países em desenvolvimento que possam pagar mais do que as nações mais pobres. O executivo da Novartis defendeu a proteção de patentes para as fabricantes de remédios, ao afirmar que é essencial para permitir a prática de descontos em países mais necessitados. "As farmacêuticas se permitem fornecer remédios mais baratos em alguns casos porque têm a proteção da propriedade intelectual, que assegura à companhia o ganho em outras áreas". Além de fornecer o tratamento antimalária a preços abaixo que os praticados no mercado, a companhia declarou que o tratamento para leucemia estará à disposição nesses países, mesmo que o paciente não possa pagar pelo preço integral.

Agencia Estado,

24 Maio 2001 | 18h53

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