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REUTERS/Nancy Wiechec

Novas torres nos EUA são usadas para conter imigrantes ilegais e traficantes

Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteira instalou 9 torres na cidade de Nogales, no Estado americano do Arizona, equipadas com câmeras e radares para identifcar movimentos ao longo da fronteira com o México

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O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 15h05

TUCSON, EUA - A cidade de Nogales, no Estado americano do Arizona, pretende acabar com o fluxo de imigrantes ilegais e traficantes de drogas com o uso de sete torres com radares alimentados com energia solar que, desde dezembro, fazem parte de um ambicioso plano para controlar a fronteira com o México.

"Estas torres contam com radares que servem para identificar movimentos no terreno, nos ajudando a detectar qualquer atividade ilegal e a enviar agentes para investigar tendo como base o que a câmera conseguiu detectar", afirmou Vicente Paco, porta-voz da Patrulha de Fronteira do Setor Tucson.

O Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteira (CBP, na sigla em inglês) explicou que essas torres integram a primeira fase do Plano de Tecnologia de Vigilância de Fronteira do Arizona, que prevê a construção de 52 torres de vigilância na fronteira do Estado com o México que devem estar em funcionamento até 2020.

Cada uma das torres mede 24 metros de altura e são equipadas com sofisticada tecnologia, com câmeras e radares que transmitem as imagens em tempo real a um centro de operações da Patrulha de Fronteira em Nogales.

Um agente é o responsável por analisar as imagens, e caso detecte alguma atividade suspeita, deve alertar os oficiais. "Os equipamentos são muito modernos, são mais eficazes, nos permitem ver em lugares onde antes não podíamos", afirmou Paco.

Ele explicou que usando a informação e as imagens recebidas, os agentes fronteiriços têm uma melhor ideia sobre a situação à qual estão respondendo, seja prender um grupo de imigrantes ilegais ou traficantes de drogas.

Por motivos de segurança nacional o porta-voz da agência federal disse não poder dar detalhes específicos sobre o alcance das câmeras e a área de cobertura. "As câmeras estão rastreando constantemente a área por 24 horas. Qualquer movimento é identificado e pode ser focado em um lugar específico onde o radar emita algum sinal", explicou Paco.

O projeto, avaliado em US$ 145 milhões, foi encomendado à companhia israelense Elbit Systems of America, que instalou um "muro inteligente" na Faixa de Gaza e nas Colinas do Golã, conforme explicou o Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteira em 2014.

Esta não é a primeira vez que o governo americano tenta estabelecer uma espécie de "muro virtual" na fronteira do Arizona. Em 2005, o Departamento de Segurança Nacional investiu milhões de dólares na construção de nove torres de vigilância na área de Sasabe, também no Arizona, mas elas nunca funcionaram corretamente. O projeto esteve repleto de falhas técnicas, por isso acabou sendo descartado pelo governo.

Paco afirmou que as novas torres ofereceram "bons resultados" e permitiu a realização de várias detenções. O uso de tecnologia de ponta somado à presença de mais agentes de fronteira faz parte da estratégia estabelecida pelos Estados Unidos para conter o cruzamento migratório ilegal.

O CBP informou que durante o ano fiscal de 2015, que terminou em 30 de setembro, ao longo da fronteira com o México foram detidos 337.117 imigrantes ilegais, um número menor em comparação com as 486.651 detenções registradas em 2014. / EFE

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