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NSA coleta milhões de imagens faciais da internet para monitorar suspeitos

01 Junho 2014 | 15h 34

Nos últimos quatro anos, agência de inteligência americana tem explorado cada vez mais fluxo de fotos em e-mails, mensagens de texto e redes sociais para encontrar potenciais alvos terroristas que representem risco aos Estados Unidos, diz ‘NYT’

WASHINGTON - A Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) tem milhões de imagens faciais de pessoas ao redor do mundo a partir de dados interceptados por seu sistema de vigilância global, revelado no ano passado pelo ex-agente Edward Snowden. Segundo documentos ultrassecretos obtidos pelo jornal The New York Times esses dados são usados em softwares sofisticados de reconhecimento visual para identificar potenciais ameaças terroristas.

Filipe Araujo/Estadão
NSA coleta imagens faciais de troca de mensagens

O uso que a agência faz desse recurso tem crescido de maneira significante nos últimos quatro anos. A NSA recorreu a novos programas para explorar o fluxo de imagens obtidos a partir de e-mails, mensagens de texto, redes sociais e videoconferências. Oficiais da agência acreditam que o método de vigilância pode revolucionar a maneira de buscar alvos de serviços de inteligência no mundo todo. 

Diariamente, milhões de imagens são captadas, de acordo com documentos de 2011 vazados por Snowden. “Não estamos apenas atrás de meios de comunicações normais. Estamos falando de um arsenal completo digital que um alvo deixa para trás na rede que nos permite compilar informações biométricas e biográficas para identificar alvos precisamente”, diz um documento de 2010 publicado pelo jornal americano. 

O programa identificou 42 suspeitos, muitos deles falsos. Um exemplo dessas tentativas foi a identificação por imagens do terrorista saudita Osama bin Laden, morto em 2011. Quatro homens barbudos apenas com vaga semelhança com o líder da Al-Qaeda foram identificados.

Não está claro quantas pessoas ao redor do mundo ou nos Estados Unidos foram monitoradas pela NSA. Leis federais americanas de privacidade e de segurança nacional não provêm proteção específica para o caso de imagens faciais. 

“Não estaríamos fazendo o nosso trabalho se não estivéssemos procurando continuamente maneiras de aumentar a precisão de atividades de inteligência”, disse a porta-voz da NSA Vanee M. Vines. “O nosso objetivo é neutralizar os esforços de alvos estrangeiros que se disfarçam ou escondem seus planos para prejudicar os EUA.”

Ainda de acordo com a representante, a agência não tem acesso a bases de dados de imagem de passaportes e documentos oficiais. A porta-voz, no entanto, recusou-se a comentar se a agência acessou imagens em redes sociais que outros meios que não a interceptação de comunicação de suspeitos. 

Entidades de defesas de liberdades civis estão preocupadas com o uso dessa tecnologia por governos e empresas. “Reconhecimento facial pode ser muito invasivo”, diz o pesquisador da Universidade Carnegie Mellon Alessandro Acquisti. “Ainda há limitações para isso, mas a capacidade computacional dos bancos de dados e algoritmos cresce cada vez mais. 

A NSA acelerou o uso do recurso no governo Obama depois de dois atentados frustrados: em 2009, quando o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, tentou detonar uma bomba em um voo rumo a Detroit, e em 2010 quando o americano de origem paquistanesa Faisal Shahzad tentou explodir um carro-bomba na Times Square, em Nova York. / NYT