AFP PHOTO / WAKIL KOHSAR
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Número de civis mortos no Afeganistão no 1.º semestre do ano bate recorde, indica relatório da ONU

Dentre as 1.662 mortes, 20% foram registradas na capital Cabul; explosões causadas por artefatos improvisados foram responsáveis pela morte de 40% de cidadãos afegãos

O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 12h01

CABUL - Um relatório recente da ONU mostra que dos 1.662 civis mortos e 3.581 feridos nos seis primeiros meses do ano no Afeganistão, 20% foram registrados em Cabul.

As explosões causadas por artefatos improvisados foram responsáveis pela morte de 40% dos civs, de acordo com as informações fornecidas pela Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Manua), em seu relatório bianual.

O representante especial da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, lamentou o uso de explosivos improvisados, pouco precisos, desproporcionais e ilegais, que causam "imenso sofrimento às famílias afetadas".

Os atentados mais complexos - com um carro-bomba abrindo caminho para um comando armado, por exemplo -  foram dirigidos principalmente contra as bases das forças de segurança afegãs e ocidentais e contra prédios administrativos.

No entanto, eles também tiveram consequências na região e provocaram a morte de 259 civis e deixaram 892 pessoas feridas, 15% a mais em relação a 2016, segundo a ONU.

Este balanço também é resultado do ataque suicida com caminhão-bomba realizado no bairro diplomático de Cabul no dia 31 de maio, que deixou 92 mortos, segundo a ONU, e 150, de acordo com o presidente Ashraf Ghani. Foi o incidente mais mortífero desde 2001, afirma a Manua.

Os ataques em ambiente urbano dão origem a um balanço particularmente alto entre as mulheres e as crianças. Mas a missão da ONU atribui o aumento de 23% no número de mulheres mortas e de 9% de crianças mortas às minas terrestres e aos bombardeios aéreos das forças ocidentais e afegãs contra posições de insurgentes.

Além disso, o número de vítimas civis aumentou entre janeiro e junho em 15 das 34 províncias do país, uma amostra da extensão geográfica do conflito. As províncias mais afetadas são, além de Cabul, Helmand, Kandahar e Uruzgan, no sul do país.

A Manua atribui esses mortos e feridos aos ataques das forças antigovernamentais, que cresceram 12%. A missão começou a fazer o censo de vítimas do conflito afegão a partir de 2009, divulgando um relatório a cada três meses. Depois de uma queda em 2012 e um estancamento em 2013, o balanço voltou a crescer e, desde então, está em constante alta.

Desde janeiro de 2009, o conflito deixou mais de 26,5 mil mortos e quase 49 mil feridos entre a população civil.

Os taleban, que controlam 40% do território afegão, e o Estado Islâmico (EI) - que está desde 2015 no leste, mas que agora avança para o norte - se aproveitaram da retirada da maioria das tropas ocidentais no final de 2014.

A Otan mantém no país quase 13 mil efetivos, encarregados de formar e assessorar as forças afegãs, o que parece não ter servido para conter as frentes de violência. / AFP

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