Tempestade deixa 17 mortos na costa da França

Tempestade deixa 17 mortos na costa da França

Côte d’Azur, área mais atingida, teve em dois dias o volume de chuva equivalente a 10% do previsto para o ano

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2015 | 15h33

(ATUALIZDA ÀS 20h) PARIS - Pelo menos 17 pessoas morreram entre a noite de sábado e a madrugada deste domingo, 4, em razão de uma tempestade que atingiu a região de Côte d’Azur, o litoral sul da França. A intempérie foi mais intensa entre as cidades de Mandelieu-le-Napoule e Nice. 

Em dois dias, o volume de chuva sobre a região foi equivalente à média de todo o mês de outubro e a 10% do previsto para todo o ano. Até a noite de domingo, o balanço da Defesa Civil francesa era provisório e o número de vítimas pode aumentar.

As buscas continuariam durante a noite, quando equipes do Corpo de Bombeiros trabalhariam em vários locais de Côte d’Azur bombeando a água de garagens e estacionamentos, onde poderia haver mais mortos. As imagens do jogo do Campeonato Francês entre Nice e FC Nantes, quando a cobertura do estádio Allianz Riviera se transformou em uma gigantesca cascata e o gramado e foi inundado em poucos minutos, impressionaram a França.

No intervalo de sete horas, foram 194 milímetros de chuva torrencial no balneário de Cannes, dos quais 107 milímetros apenas entre 18 horas e 19 horas de sábado, segundo o instituto de meteorologia Météo France. A precipitação torrencial saturou o serviço de telefonia do Corpo de Bombeiros da região de Alpes-Maritimes, que realizou mais de 400 intervenções.

Em uma delas, a tragédia foi mais impressionante. Na cidade de Mandelieu-la-Napoule, a sete quilômetros de Cannes, pelo menos sete pessoas morreram afogadas no estacionamento subterrâneo de um prédio residencial. Segundo testemunhas, eles haviam descido para tentar retirar seus automóveis no início da chuva, mas as portas da garagem acabaram bloqueadas pelo peso da massa de água. Até a noite de domingo, os bombeiros ainda trabalhavam no local para bombear a água e verificar se não havia mais mortes além das já confirmadas.

Outra fatalidade aconteceu na cidade de Biot, onde três idosos morreram afogados quando a água invadiu as dependências de um asilo. Em Cannes, três pessoas morreram e duas estão desaparecidas e, em Vallauris-Golfe-Juan, três pessoas de uma mesma família se afogaram quando o carro no qual trafegavam foi coberto pela chuva em um túnel. A última vítima identificada até a noite foi um cliente de um camping da cidade de Antibes, onde outra pessoa está desaparecida. 

Nas ruas dos balneários da região, o mesmo panorama desolador: automóveis virados ou inundados, ruas e avenidas com asfalto e calçadas destruídas, árvores e mobiliário urbano arrancados, e lama por todo lado.

A situação levou o presidente da França, François Hollande, a visitar a região, acompanhado do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Hollande disse que o estado de catástrofe natural será decretado e que as cidades atingidas receberão uma ajuda financeira do governo para se recuperar dos estragos. “O Estado assumirá a responsabilidade e, a partir de quarta-feira, na reunião do Conselho de Ministros, a situação de catástrofe natural será reconhecida e as indenizações serão liberadas em até três meses”, prometeu. 

O presidente anunciou ainda a criação de um fundo de apoio às comunidades atingidas. “Há comerciantes e artesãos que vivem um drama e não há tempo a perder. Vamos oferecer não apenas apoio moral, mas também reparar suas perdas.”

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