O impulso à economia é o real incentivo de Teerã ao pacto

CENÁRIO: Steven Mufson / W. POST

O Estado de S.Paulo

31 Março 2015 | 02h05

Recentemente, os jornais do Irã têm trazido boas notícias sobre a economia do país. Nos primeiros 11 meses do ano fiscal iraniano, a produção de veículos elevou-se 58% e as exportações de pistache aumentaram 71%. A inflação está alta, mas vem caindo e, após uma forte contração em 2012 e 2013, a economia cresce.

A economia iraniana, porém, ainda é uma sombra do que seria se as sanções internacionais fossem suspensas. O investimento externo basicamente não existe. O desemprego é altíssimo. Alguns bancos estão em situação precária. A corrupção é generalizada entre grupos conectados politicamente que lucram contornando as sanções.

As potências que negociam um pacto para limitar o programa nuclear do Irã esperam que a perspectiva do fim das sanções convença os líderes iranianos a firmar o documento. O acordo propiciaria uma reabertura para importações de petróleo e, além disso, seria liberada parte dos mais de US$ 100 bilhões vindos da venda de petróleo bloqueados. Isso terá um enorme impacto não somente para o Irã, mas também nos preços mundiais de petróleo e na geopolítica do Oriente Médio, onde o Irã apoia ou assessora aliados como o Hezbollah, no Líbano, o presidente sírio, Bashar Assad, os rebeldes houthis, no Iêmen, e o governo do Iraque em sua luta contra o Estado Islâmico.

"Acho que a economia iraniana vem sangrando em três frentes", afirmou Karim Sadjadpour, membro do Carnegie Endowment for International Peace, apontando o custo representado pelas sanções, os preços baixos do petróleo e os gastos na ajuda concedida aos aliados regionais. "Não é sustentável no longo prazo. O papel do Irã na região se expande enquanto sua economia se contrai. Certamente, tudo isso representa um enorme incentivo para ele firmar um acordo nuclear."

Quem contribuiu muito para o colapso econômico do Irã foi o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Durante seus oito anos no poder, o líder assegurou mais da metade das receitas de petróleo obtidas no século anterior, mas esbanjou o dinheiro. Construiu casas para 2 milhões de pessoas, aumentou subsídios de energia e pressionou os bancos a apoiar projetos inviáveis, mas motivados politicamente. E pagou por tudo isso ordenando que o banco central imprimisse dinheiro. Resultado: uma inflação de 45% e o temor de um colapso iminente.

Mesmo o desenvolvimento da energia nuclear, se fosse realmente para atender necessidades civis, teria pouco sentido econômico. O setor energético do Irã é alimentado por gás natural doméstico, que é barato. O presidente Hassan Rohani assumiu em agosto de 2013 e revogou algumas medidas de seu antecessor. Reduziu subsídios, elevou impostos e diminuiu o volume de dinheiro em circulação. A inflação caiu para em torno de um quarto da sua taxa anterior. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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