O trágico casamento de Keren e Assi

Keren, a noiva cuja festa de casamento acabou em tragédia após o desabamento do edifício onde se celebrava a recepção, está deitada de olhos vendados no hospital Bikur Holim em Jerusalém, enquanto seu marido Assi cuida dela, indiferente ao traje nupcial manchado de sangue e jogado sobre uma cadeira. Após dois anos de noivado, sem dúvida não era esta a lua-de-mel com que sonhavam. Os noivos estão preocupados, sobretudo com o destino de seus convidados. Para seu grande pesar, o casamento de Keren e Assi se converteu em uma tragédia de caráter nacional. Os mortos são 30, outros 30 estão desaparecidos (entre eles, o tio e o avô de Assi) e centenas estão feridos. "Visite os feridos, um por um - diz Keren ao marido, imobilizada em sua cama por uma fratura múltipla - peça-lhes desculpas em nosso nome. Queríamos dar-lhes um momento de felicidade e, em lugar disto, veja que desastre...". A família de Keren havia chegado a esse casamento após uma série de desgraças. Seu imãozinho de oito anos morreu de câncer, e seu pai, há quatro anos, foi envolvido em um grave acidente de trânsito. Na quinta-feira, eles esperavam virar a página e começar a olhar o futuro com otimismo. Quem não consegue conter a raiva é Alice, a mãe de Assi, que não pode acreditar que a "negligência criminosa" de alguém - os donos do salão, os construtores do edifício, ou algum fiscal de obras de Jerusalém que concede autorização municipal para a realização de festas - possa ter provocado danos e dores tão grandes. Alice também está hospitalizada, e ainda não consegue entender como há apenas 12 horas estava na melhor das festas pelo casamento de seu segundo filho. "O sorriso congelou em meus lábios, me senti afundar, cada vez mais fundo", contou. "Logo cheguei ao chão, coberta de destroços. Em torno, só havia cadáveres". A mulher esperou meia hora até que as equipes de resgate a encontraram e a retiraram dos escombros. Na penumbra, ela pôde ver o irmão de Assi saindo do meio do entulho. "Ainda estava abraçado ao seu filhinho, na mesma posição de alguns minutos antes, quando dançavam no salão".

Agencia Estado,

25 Maio 2001 | 18h33

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