O voto ressentido na extrema direita

O voto ressentido na extrema direita

Duas teorias são usadas para explicar o êxito dos populistas, contrários a imigrantes e muçulmanos, não raro xenófobos

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2016 | 05h00

Duas teorias são usadas para explicar o êxito dos populistas, contrários a imigrantes e muçulmanos, não raro xenófobos, representados na Europa pela extrema-direita (vide gráfico) e nos Estados Unidos pelo republicano Donald Trump. Para a primeira teoria, a causa é econômica. Trata-se de reação à globalização, à desigualdade, à perda de empregos para a Ásia e ao empobrecimento da classe média branca nos países ricos. A segunda teoria atribui a onda populista a fatores culturais. Trata-se não só de empobrecimento, mas sobretudo do ressentimento contra políticas dirigidas a grupos minoritários e imigrantes, vistas como privilégios injustos. Qual teoria está certa? A segunda, diz um estudo da Kennedy School, da Universidade Harvard, que analisou a preferência por 268 partidos em 31 países europeus. “Cidadãos menos instruídos e mais velhos, especialmente homens brancos, antes maioria privilegiada nas sociedades ocidentais, ressentem quando dizem que valores tradicionais são ‘politicamente incorretos’, ao se sentir marginalizados em seu próprio país”, dizem os autores, Ronald Inglehart e Pippa Norris. É o voto não dos empobrecidos ou dos ‘perdedores da globalização’ – mas dos ressentidos.

 

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