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Obama anuncia mais US$ 450 milhões em auxílio à recuperação da Colômbia

- Atualizado: 04 Fevereiro 2016 | 21h 20

Presidente dos EUA recebe Juan Manuel Santos e lança iniciativa para apoiar o país após a esperada concretização de um acordo com as Farc para encerrar o conflito civil

WASHINGTON - Ao receber o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, o presidente Barack Obama anunciou na noite desta quinta-feira, 4, que os Estados Unidos destinarão US$ 450 milhões para o que chamou de um novo capítulo do Plano Colômbia: o Paz Colômbia. Ele anunciou, ainda, que os americanos ajudarão os colombianos a remover todas as minas terrestres deixadas pelo conflito nos próximos cinco anos. 

A visita foi feita no contexto dos 15 anos do Plano Colômbia. Segundo Obama, os EUA "estão orgulhosos" de ter apoiado a Colômbia no que ele considerou ser uma das mais fortes parcerias do Hemisfério Ocidental. “Gostaria de fazer um tributo ao povo da Colômbia. Ainda há muitos desafios pela frente, mas chegou a hora de mudar”, disse Obama, se referindo às negociações de paz prestes a ser encerradas com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

US President Barack Obama and Colombia's President Juan Manuel Santos shake hands during the reception in the East Room of the White House on February 4, 2015 in Washington, DC. / AFP / MANDEL NGAN
US President Barack Obama and Colombia's President Juan Manuel Santos shake hands during the reception in the East Room of the White House on February 4, 2015 in Washington, DC. / AFP / MANDEL NGAN

Governo e grupo negociam um acordo de paz que estaria prestes a ser encerrado e colocaria fim a meio século de conflito armado no país. “A Colômbia esteve à beira do colapso e agora está à beira da paz”, disse Obama. Em seu discurso, Santos agradeceu aos EUA pela cooperação e afirmou que Obama foi um grande incentivador das negociações de paz.

Pedido. A visita de Santos a Washington tinha o objetivo de obter ajuda financeira para áreas a serem recuperadas após o acordo com a guerrilha. Segundo o governo, o dinheiro será para reconstruir estradas, escolas e hospitais em áreas hoje dominadas pelas Farc. Fontes do governo americano afirmaram que a Casa Branca planeja pedir ao Congresso na próxima semana aprovação dessa ajuda. 

“Reconhecemos que, no caso de um acordo de paz, um dos maiores desafios será desmobilizar as Farc e garantir a reintegração dos guerrilheiros na sociedade como membros construtivos”, afirmou Mark Feierstein, diretor de Hemisfério Ocidental do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca. 

Santos levou a Obama outra solicitação: a remoção das Farc da lista de grupos terroristas quando e se o acordo for alcançado. Antes de deixar Bogotá, o presidente afirmou à agência Associated Press que pretendia pedir a Obama que suspendesse as ordens de prisão por tráfico de drogas contra os comandantes da guerrilha. Mas hoje não houve menção a esse pedido. 

Antes do encontro, o enviado especial dos EUA para o processo de paz da Colômbia, Bernard Aronson, afirmou que os EUA poderiam atender a essa solicitação uma vez comprovado que a guerrilha renunciou à violência. “Mas não antes disso.” 

Em 2003, um avião que sobrevoava a selva colombiana foi derrubado pelas Farc e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves foram sequestrados. Após mais de cinco anos, os três foram resgatados em julho de 2008 na Operação Jaque, a mesma que libertou outras 15 pessoas, entre elas a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt. / AFP, REUTERS e AP

PARA ENTENDER

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O Plano Colômbia, um acordo bilateral entre Estados Unidos e Colômbia, foi assinado em 2000 com a intenção de fortalecer o Estado colombiano, a paz e a luta contra o narcotráfico. No Congresso americano, ele foi apoiado por democratas e republicanos. 

Nesses 15 anos, os Estados Unidos destinaram mais de US$ 9 bilhões em ajuda, principalmente militar. Destes, US$ 296 milhões foram aprovados para o ano fiscal de 2016 (que começou em 1.º de outubro).

Bogotá defende o sucesso do plano que, embora não tenha acabado com o problema das drogas na Colômbia, ajudou a fortalecer o Estado. O país também atribui ao plano o fato de a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) terem aceitado entrar nas negociações de paz com o governo, em um diálogo que começou em 2012. 

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