Obama chega ao Japão em 1ª visita à Ásia

Presidente dos EUA deve reafirmar aliança com Tóquio, apesar de diferenças sobre bases militares.

Ewerthon Tobace, BBC

13 Novembro 2009 | 09h42

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou nesta sexta-feira ao Japão, em um momento de diferença entre os dois aliados sobre a presença militar americana na região.

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, indicou que seu país quer fortalecer suas relações com a Ásia e se opõe a planos dos EUA de deslocar uma base militar na ilha de Okinawa.

Os Estados Unidos, que consideram o lugar estratégico por ser perto da China e de Taiwan, querem mover a base para outra parte da ilha, longe da área residencial. Mas o Japão quer que a base saia da ilha por completo.

O fim das bases norte-americanas na ilha japonesa foi um dos assuntos que mais ganhou destaque na imprensa do país nesta sexta-feira. Mas analistas políticos dizem que o assunto deverá ser tratado de forma marginal nesta visita de Obama e que nenhuma decisão será tomada.

Ainda na questão militar, o Japão propôs doar US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos em ajuda para a reconstrução do Afeganistão. Mas em troca, quer acabar com toda a ajuda logística do país às tropas americanas, principalmente o fornecimento de combustível às aeronaves e embarcações.

O Japão é a etapa inicial da primeira viagem de Obama à Ásia como presidente. Ele ainda visitará Cingapura, onde participa da cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), China e Coreia do Sul.

As maiores expectativas do giro de Obama pelo continente estão na visita à China. Obama afirmou que a China é um parceiro e também um rival, e alertrou para a necessidade de equilibrar as relações comerciais com Pequim para evitar "tensões" entre as duas potências.

Relações bilaterais

Pouco depois de desembarcar em Tóquio, Obama se reuniu com Hatoyama na residência do primeiro-ministro. No sábado, Obama fará um discurso na capital japonesa, no qual deve reiterar a importância do Japão como aliado e parceiro comercial dos Estados Unidos.

Já o governo japonês tem declarado que busca mais independência comercial dos EUA, o principal parceiro comercial do país asiático nas últimas décadas.

Nesta sexta-feira, porém, Hatoyama afirmou à imprensa japonesa que a parceria deve continuar. "Não existem dúvidas sobre a necessidade de se manter essa relação", disse.

Tanto Japão como Estados Unidos estão de olho agora na China. Obama sinalizou que o país está cada vez mais influente no continente asiático. Entre outros assuntos, ele deve discutir com o líder chinês Hu Jintao uma política de cooperação econômica e um crescimento mais equilibrado dos chineses.

O presidente americano ficará em Tóquio até sábado e se encontrará ainda com o Imperador Akihito e a Imperatriz Michiko, que acabaram que completar 20 anos de reinado.

Depois ele segue viagem para Cingapura, onde participa do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês). Ele deve ficar ainda três dias na China, e depois fará uma rápida parada em Seul, na Coreia do Sul. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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