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Obama condiciona ajuda ao Iraque a mudanças políticas

CLAUDIA TREVISAN - O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 14h 29

Presidente disse nesta sexta-feira que estuda opções para dar assistência militar ao governo do Iraque na luta contra insurgentes

 WASHINGTON - O presidente Barack Obama disse na manhã desta sexta-feira que estuda opções para dar assistência militar ao governo do Iraque na luta contra os insurgentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, em inglês). Mas ele ressaltou que a ajuda deverá ser acompanhada de mudanças políticas no país que levem à inclusão de sunitas na gestão do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que é xiita.

Obama afirmou que o apoio não incluirá o envio de tropas americanas ao Iraque, de onde elas saíram no dia 1º de janeiro de 2012, depois de nove anos de guerra. O presidente ressaltou que não acredita em uma solução militar para o conflito, aprofundado pela política de Maliki de marginalizar os sunitas desde sua chegada ao poder, em 2006.

“Na ausência de acomodação entre as diferentes facções dentro no Iraque, ações militares dos Estados Unidos ou de qualquer outra nação, não vão solucionar esses problemas no longo prazo e trazer estabilidade necessária”, declarou Obama. “Os Estados Unidos não vão se envolver em uma ação militar na ausência de um plano político dos iraquianos que nos dê alguma segurança de que eles estão preparados para trabalhar juntos.”

Segundo Obama, o governo do Iraque resistiu inicialmente à oferta americana de aumentar sua assistência militar, mas acabou reconhecendo sua necessidade diante da rápida deterioração da situação no país e do avanço do Isil. “As forças de segurança do Iraque se mostraram incapazes de defender várias cidades.”

O avanço do Isil não representa uma ameaça apenas para o Oriente Médio, mas também ao pessoal americano no exterior e, eventualmente, ao próprio país, ponderou Obama, ecoando o temor de que a organização possa cometer atentados terroristas nos EUA.

Obama disse que a decisão sobre o tipo de ação militar a ser adotada não será tomada da “noite para o dia”. O presidente quer ter certeza de que qualquer operação seja “precisa”, tenha “alvos” definidos e tenha impacto. Existe o temor no governo americano de que ações mal planejadas acabem provocando a morte de grande número de civis. Analistas acreditam que a opção mais provável é o bombardeio aéreo.

O fato de que soldados iraquianos estão abandonando seus postos sem exercer resistência aos encapuzados do Isil é um sintoma dos problemas políticos do país, afirmou Obama. “Os Estados Unidos deram muito dinheiro para as forças de segurança do Iraque e nos dedicamos a treiná-las”, lembrou. A ausência de disposição de luta, ponderou, “indica que há um problema de moral, de comprometimento, que tem origem nos problemas políticos que afetam o país há muito tempo.”

A divisão sectária entre sunitas e xiitas foi apresentada por Obama como um problema regional de longo prazo. “Nós temos de combinar ações seletivas de nossas forças armadas -assegurar que vamos atrás de terroristas que podem atingir nosso pessoal no exterior e no fim atingir o solo americano- com um esforço desafiador internacional de reconstruir países e comunidades que foram destruídos por uma guerra sectária.”