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Obama condiciona monitoramento de aliados à segurança nacional

O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2014 | 15h 23

Entre mudanças do programa da NSA. presidente dos EUA falou em mais garantias para estrangeiros

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira, 17, o fim do monitoramento a líderes mundiais de países parceiros ou aliados de Washington como parte das mudanças no programa da NSA, agência de segurança nacional do país. "Se não houver um objetivo de segurança nacional evidente, não vamos espionar líderes de países amigos e aliados", afirmou o presidente em pronunciamento.

No ano passado, a chanceler alemã, Angela Merkel, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tiveram seus telefonemas monitorados pela agência americana.

Obama também prometeu mais garantias para cidadãos estrangeiros. "Nossos esforços só terão resultado se os cidadãos de outros países confiarem que os EUA respeitam sua privacidade. Pessoas ao redor do mundo devem saber que os EUA não estão espionando pessoas comuns que não ameaçam a nossa segurança nacional."

O presidente americano criticou a ação do ex-técnico da CIA Edward Snowden de revelar o funcionamento do programa de monitoramento da NSA. "Não vou julgar as motivações ou ações do senhor Snowden. A segurança da nossa nação depende, em parte, da fidelidade daqueles envolvidos com os segredos da nossa nação. Não seremos capazes de manter nosso povo seguro se as pessoas divulgarem informações sigilosas."

Obama justificou a existência dos programas de monitoramento como uma necessidade para evitar ataques terroristas e citou o ataque de 11 de setembro de 2001. "Não podemos prevenir ataques terroristas ou ataques cibernéticos sem a capacidade de rastrear algumas comunicações digitais."

Entre as mudanças, foi anunciado o fim à prática da NSA de recolher "metadados" de telefonemas feitos nos EUA e ao redor do mundo. Os metadados dão detalhes da duração e destino das chamadas, mas não revelam o conteúdo das conversas.

"Precisamos de uma nova abordagem. Por isso ordenei uma transição que eliminará o programa que recolhe metadados do jeito que existe hoje e vai estabelecer um mecanismo que preserve a capacidade que temos sem que o governo mantenha (armazenado) esses metadados", afirmou o presidente. Foi anunciado ainda que os agentes da NSA deverão pedir permissão judicial para ter acesso aos dados de uma pessoa de interesse especial.

Antes de finalizar o discurso, Obama disse que não pediria desculpas a outros governos por ter um serviço "mais efetivo" de monitoramento, mas ressaltou que aprovou novas diretrizes para a coleta de dados, considerando a privacidade de estrangeiros./ AP, EFE e REUTERS