REUTERS/Jonathan Ernst
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Obama defende compartilhamento de inteligência para conter o EI

Obama exortou um ‘sentido de urgência’ para prevenir ações do grupo terrorista ao redor do mundo

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2016 | 20h38

O Estado Islâmico está perdendo terreno na Síria e no Iraque, mas ampliando suas ações em países fora da região, como ficou claro nos recentes atentados na Bélgica e na Turquia, avaliou nesta sexta-feira, 1º, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em discurso a representantes de 52 países reunidos em Washington, Obama defendeu um “sentido de urgência” para prevenir ações do grupo terrorista ao redor do mundo.

O presidente americano defendeu a intensificação do compartilhamento de dados de inteligência entre os países como um dos caminhos para elevar a eficácia do combate ao Estado Islâmico. O grupo radical ocupou a parte final da agenda dos líderes mundiais reunidos em Washington, que discutiram possíveis cenários decorrentes da ação global de redes terroristas. 

“Nós não podemos nos permitir ter informações críticas de inteligência e não compartilhá-las da maneira necessária – seja entre nossos governos ou dentro de nossos governos”, declarou Obama. A falta de comunicação entre diferentes agências foi apontada como uma das razões do sucesso do ataque terrorista que atingiu a Bélgica na semana passada.

O combate ao Estado Islâmico também foi discutido em encontro que Obama teve na noite de quinta-feira com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. 

Respondendo à pergunta de um jornalista na entrevista coletiva que concedeu ontem, Obama disse estar “perturbado” com algumas “tendências” na Turquia que contrariam os princípios democráticos. Entre elas, mencionou as restrições às liberdades de imprensa e religiosa.  “O presidente foi eleito por processo democrático, mas a abordagem em relação à liberdade de imprensa pode levar a Turquia a um caminho turbulento”, declarou.

Obama fez uma avaliação positiva da implementação do acordo nuclear fechado com o Irã no ano passado e disse que, até agora, o país cumpriu o que prometeu. Isso significa que os EUA e seus parceiros na negociação terão de suspender parte das sanções econômicas impostas contra a República Islâmica.

Mas os investimentos americanos não fluirão para o país do dia para a noite, ponderou Obama. Segundo o presidente americano, muitas empresas ainda temem fazer negócios no país. Nos próximos meses, o Departamento do Tesouro dos EUA vai se dedicar a esclarecer os regulamentos em vigor e sanar dúvidas sobre o que é permitido e o que continua proibido nas transações com Teerã, observou. 

“Por enquanto, o Irã cumpriu a letra do acordo. Mas o espírito do acordo exige que o Irã não se engaje em ações provocativas que assustam os investidores. Quando eles lançam mísseis pedindo a destruição de Israel, isso assusta os investidores”, disse Obama. 

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