Obama diz estar satisfeito com acordo da ONU sobre sanções ao Irã

Resolução 'forte' está sendo compartilhada com 'parceiros do CS', diz presidente dos EUA

Alessandra Corrêa, BBC

19 Maio 2010 | 17h51

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta quarta-feira, 19, estar satisfeito com o acordo alcançado no Conselho de Segurança da ONU sobre uma nova rodada de sanções contra o Irã, devido ao programa nuclear do país persa.

 

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"Estou satisfeito que tenhamos chegado a um acordo com os parceiros do P5 + 1 para uma resolução mais forte, que nós agora compartilhamos com nossos parceiros no Conselho de Segurança", disse Obama, em entrevista durante a visita do presidente do México, Felipe Calderón.

Obama se referia ao grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha, chamado de P5 + 1.

Na terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o grupo havia chegado a um consenso sobre uma resolução.

Pouco depois, os Estados Unidos apresentaram uma proposta de resolução para ser discutida pelos 15 membros do Conselho de Segurança.

A decisão de discutir novas sanções foi tomada um dia depois de o Brasil e a Turquia terem chegado a um acordo com o governo do Irã sobre seu programa nuclear e não foi bem recebida pelo governo brasileiro.

Medidas

A resolução em discussão no Conselho de Segurança estabelece a quarta rodada de sanções contra o Irã. As três rodadas anteriores não foram suficientes para convencer o governo iraniano a interromper seu programa nuclear.

Entre as medidas em discussão estão a inspeção de navios com carga suspeita, proibição de venda de armamento pesado ao Irã e controle de atividades bancárias.

Os Estados Unidos já manifestaram o desejo de ver as sanções aprovadas rapidamente, mas as discussões podem levar semanas.

O Brasil e a Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem poder de veto.

Segundo analistas, porém, uma eventual posição contrária desses países prejudicaria a imagem de união sobre o tema que os Estados Unidos desejam transmitir.

Brasil

Em Madri, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as negociações poderão voltar à estaca zero caso o Conselho de Segurança não aceite discutir com o governo iraniano.

O Ministério de Relações Exteriores enviou nesta quarta uma carta aos membros do Conselho de Segurança, assinada em conjunto com a Turquia, em que fornece detalhes sobre a Declaração Conjunta sobre o programa nuclear iraniano assinada na segunda-feira, em Teerã.

"Brasil e Turquia estão convencidos de que é hora de dar uma chance às negociações e evitar medidas que prejudiquem soluções pacíficas a essa questão", diz um trecho da carta.

Pelo acordo anunciado na segunda-feira, durante visita de Lula a Teerã, o Irã se compromete a enviar urânio com baixo nível de enriquecimento à Turquia e receber em troca material enriquecido a um nível suficiente para uso civil, mas não militar.

Os Estados Unidos, porém, reagiram com ceticismo e disseram que continuariam a pressionar por sanções e que o acordo não toca na questão crucial, que é garantir a interrupção do processo de enriquecimento de urânio no Irã.

O temor dos Estados Unidos e de seus aliados é de que o Irã planeje secretamente desenvolver armas nucleares, por isso exigem que o país interrompa o enriquecimento de urânio.

O Irã nega essas alegações e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

 

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