Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Obama diz que ‘sentimento anti-imigrante’ nos EUA não é novo, mas é um erro

Em discurso no Instituto do Caucus Hispânico do Congresso, presidente dos EUA rejeitou as posições que defendem ‘as bandeiras da intolerância’

O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2015 | 15h49

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu na quinta-feira que o "sentimento anti-imigrante" nos Estados Unidos "não é algo novo", mas insistiu que "está errado" e rejeitou os discursos "incendiários" e as posições que defendem "as bandeiras da intolerância".

Durante seu discurso na cerimônia de premiação do Instituto do Caucus Hispânico do Congresso (CHCI), realizada ontem em Washington, o presidente se referiu, sem citar nomes, ao pré-candidato republicano Donald Trump, que causou grande repercussão por sua posição contra os imigrantes.

"Liderança não é avivar as chamas da intolerância e depois se fazer de surpreso quando acontece um incêndio. O sentimento anti-imigrante que infectou nossa política não é novo, mas é um erro", garantiu Obama.

"A grandeza dos Estados Unidos não está na construção de muros. Nossa grandeza está na construção de oportunidades", disse o presidente. Ele ainda lembrou que "todos" nos Estados Unidos vieram "de outro lugar".

Aplaudido em várias ocasiões pelos presentes, Obama resgatou um dos lemas mais efetivos de sua campanha de reeleição: "Não vaiem, votem. Porque não ouvirão suas vaias, mas sim os seus votos", acrescentou o líder.

Obama enfatizou a importância dos latinos se registrarem para votar nas próximas eleições e de não fazerem de seu silêncio político uma vitória para os republicanos que pretendem restringir seus direitos.

Em seu discurso, o presidente americano fez uma retrospectiva das conquistas de seu mandato, desde a drástica redução do desemprego, também entre os latinos, até o aumento do acesso aos planos de saúde, passando pela geração atual de emprego que contrasta com a destruição de milhares de postos de trabalho durante o período em que chegou à Casa Branca.

No entanto, o presidente reconheceu que "as mudanças" não se alcançam de um dia para outro, "nem em uma legislatura, nem durante o mandato de um presidente", e pediu aos presentes e à comunidade latina que "votem" para continuar trabalhando por essas mudanças que, segundo ele, são possíveis.

Obama ainda lembrou que o bloqueio no Congresso da tão esperada reforma migratória não pode continuar sendo justificado com argumentos falsos, quando os números demonstram que a segurança fronteiriça é mais efetiva do que nunca e os especialistas coincidem em afirmar que a reforma representaria um impulso para a economia do país.

Obama também se referiu a seu antecessor, George W. Bush, que "fez da reforma migratória uma de suas prioridades", mas que agora seus colegas republicanos se recusam a chegar a um acordo para aprimorar um sistema migratório visto por todos como ineficiente.

"Não há nenhum tema no qual queiram retroceder mais do que na questão migratória" disse o presidente sobre os republicanos. "Pensem no quão melhor seria nossa economia se o resto de seu partido entendesse sua mensagem".

Obama prometeu seguir lutando "a cada dia" que lhe resta na Casa Branca para melhorar as condições dos imigrantes, brigar pela reforma migratória e pelo acesso gratuito à educação superior para aumentar as oportunidades de todos os cidadãos.

"Sim, é possível, juntos podemos. Que Deus os abençoe", disse em espanhol ao encerrar seu discurso. /EFE

Mais conteúdo sobre:
Estados Unidos Barack Obama imigração

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.