AFP PHOTO / STEPHANE DE SAKUTIN
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Obama inaugura Cúpula de Segurança Nuclear com foco no Estado Islâmico

Um dos objetivos da reunião entre os líderes de mais de 50 países é evitar que os materiais necessários para elaborar uma arma atômica caiam nas mãos de grupos terroristas

O Estado de S. Paulo

01 Abril 2016 | 10h22

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, deu as boas-vindas na quinta-feira aos líderes de mais de 50 países e inaugurou a Cúpula de Segurança Nuclear, que terá como foco evitar que os materiais necessários para elaborar uma arma atômica caiam nas mãos de grupos terroristas como o Estado Islâmico.

Com um jantar de boas-vindas na Casa Branca, o chefe de Estado americano abriu a quarta Cúpula de Segurança Nuclear, na qual se espera que os líderes mundiais conversem sobre medidas para evitar que o grupo jihadista tenha acesso aos materiais nucleares que vários países possuem para uso civil e militar.

Em reunião anterior ao jantar, Obama afirmou que o presidente francês, François Hollande, conseguiu "mobilizar a comunidade europeia" no combate ao terrorismo, e os dois analisaram formas de melhorar a cooperação bilateral nessa matéria para evitar novos ataques como os de Bruxelas e Paris.

"O presidente Hollande foi um líder na hora de mobilizar a comunidade europeia em torno da necessidade de ser mais eficiente nas trocas transatlânticas de informação, na hora de impedir o recrutamento de combatentes terroristas estrangeiros e na identificação de possíveis ataques", afirmou Obama aos jornalistas após a reunião.

O americano considerou que há uma "grande urgência" para lidar com a praga do terrorismo global após os atentados de 22 de março em Bruxelas, que causaram 32 mortes, e os ataques de novembro em Paris, que deixaram 130 mortos.

O Estado Islâmico, que reivindicou a autoria de ambos os ataques, deve "ser encurralado" no Iraque e na Síria, afirmou Obama.

Mais tarde, durante o jantar inaugural, Obama não fez declarações e se limitou a dar as boas-vindas aos líderes e ministros à Sala Leste, o maior cômodo da Casa Branca.

No encontro, Obama se sentou entre o presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro de Índia, Narendra Modi, com quem manteve uma entusiasmada conversa no começo do jantar.

A Cúpula de Segurança Nuclear é realizada a cada dois anos desde 2010 por iniciativa de Obama, que prometeu no começo de seu mandato transformar em uma prioridade a não proliferação nuclear e pediu à comunidade internacional que avançasse para tornar o mundo "livre de armas atômicas", durante um discurso em Praga, em 2009.

Obama tem menos de um ano para concluir seu segundo mandato, por isso esta cúpula será a última com o formato atual e não se sabe se o próximo presidente americano, que chegará à Casa Branca em janeiro de 2017, continuará com o processo multilateral.

A Rússia, o país com o maior arsenal nuclear do mundo, decidiu não comparecer à cúpula por considerar que houve "falta de cooperação na hora de elaborar a agenda" do encontro, segundo explicou na quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Sua ausência dificulta o alcance de grandes acordos sobre segurança nuclear, mas a Casa Branca acredita que a reunião servirá para aumentar a coordenação internacional contra o Estado Islâmico e analisar, em particular, a possibilidade de que esse e outros grupos terroristas consigam uma arma nuclear.

Esse risco será analisado nesta sexta-feira, 1º, em uma sessão plenária durante o dia principal da cúpula, que conta com a presença de líderes e ministros de 52 países.

Nove nações do mundo concentram mais de 15 mil ogivas nucleares: EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. No entanto, 90% desse arsenal está em mãos americanas e russas.

Coreia do Norte. O presidente Barack Obama enfatizou a necessidade de manter a pressão sobre as armas nucleares da Coreia do Norte, depois de se reunir com seus aliados japoneses e sul-coreanos.

Após a reunião, o presidente dos EUA disse que é necessário "fazer respeitar firmemente as duras medidas de segurança adotadas pela ONU contra Pyongyang", que realizou testes nucleares e de mísseis considerados provocação.

"O que verdadeiramente temos em mente é a Coreia do Norte, e estamos unidos em nossos esforços para dissuadir e nos defendermos contra as provocações norte-coreanas", insistiu o presidente americano. /EFE e AFP

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