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Obama quer apoio ante imigração de menores

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

09 Julho 2014 | 02h 01

Presidente pediu ao Congresso US$ 3,7 bilhões para combater crise humanitária

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu ontem ao Congresso a liberação emergencial de US$ 3,7 bilhões para enfrentar a crise humanitária criada pela entrada ilegal no país de milhares de crianças desacompanhadas, vindas de países da América Central. O valor equivale a 74% do fundo de combate ao terrorismo no Oriente Médio e Norte da África anunciado pelo democrata em maio.

Entre outubro e junho, 52,2 mil menores foram detidos depois de atravessarem a fronteira sul dos EUA sem a companhia de seus pais, o dobro dos 12 meses anteriores, período que já havia registrado expansão.

O aumento sobrecarregou os serviços de imigração, colocou Obama em uma situação política difícil e criou um dilema para sua administração sobre o tratamento a ser dado a esses menores.

Na justificativa enviada ao Congresso, a Casa Branca disse que parte dos recursos será usada para acelerar o processo de deportação dos imigrantes que não se qualificarem para asilo ou o status de refugiados. Entidades de defesa de direitos humanos e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) sustentam que a deportação não pode ser aplicada de maneira indiscriminada.

"Eles estão saindo por alguma razão. Não vamos mandá-los de volta de maneira mecânica, mas avaliar as razões pelas quais eles deixaram seus países", disse à Associated Press o representante regional da Acnur, Fernando Protti.

Críticas. As medidas anunciadas por Obama foram criticadas por Fernando Garcia, diretor executivo da organização Border Network for Human Rights, sediada no Texas, Estado que registra um dos maiores números de entrada de crianças e adolescentes desacompanhados. "Grande parte dos recursos será destinada à detenção e deportação", disse em entrevista por telefone ao Estado. "Não é isso que Obama prometeu", afirmou, lembrando que 2 milhões de imigrantes foram deportados depois da chegada do democrata ao poder, em 2009.

Os 52,2 mil menores detidos desde outubro vieram de quatro países da América Central: Honduras, Guatemala, México e El Salvador. Segundo Garcia, eles fogem da violência de gangues e cartéis de drogas e de dificuldades econômicas. Muitos também buscam a reunificação com familiares que vivem como imigrantes nos Estados Unidos, ressaltou.

Entrevistas realizadas pela Acnur com 404 adolescentes nos EUA revelaram que metade deles tentava escapar da violência. "Foi minha avó quem falou que eu deveria ir embora. Ela me disse: 'Se você não entrar (em uma gangue), a gangue vai atirar em você. Se você entrar, a gangue rival ou a polícia vai atirar em você. Mas, se você for embora, ninguém vai atirar em você", disse um garoto de 17 anos entrevistado por pesquisadores da Acnur.

Campanha. O governo americano iniciou uma campanha publicitária nos países de origem desses imigrantes para combater rumores de que menores desacompanhados teriam direito a permanecer legalmente nos Estados Unidos.

Mas, apesar de as regras atuais não contemplarem essa possibilidade, a atuação dos oficiais de fronteira é limitada por uma lei de 2008 destinada ao combate do tráfico de crianças e adolescente. De acordo com essa legislação, os menores desacompanhados têm direito a audiência com juízes de imigração e aconselhamento de advogados antes de qualquer decisão sobre sua deportação.

A Casa Branca chegou a analisar a possibilidade de pedir a mudança dessa legislação, de acordo com reportagens publicadas por jornais americanos na semana passada. A ideia foi abandonada por Obama, que preferiu solicitar mais recursos para enfrentar a crise atual.

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