Objetivo de Sharon é evitar Estado palestino, diz assessor

O verdadeiro propósito da oferta do premier israelense, Ariel Sharon, de retirar-se da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia é congelar de forma permanente o estabelecimento de um Estado palestino, com as bênçãos dos Estados Unidos, disse o principal assessor de Sharon frente ao governo dos EUA. O assessor, Dov Weisglass, também disse que Israel evita retomar negociações com os palestinos porque o governo não quer ser forçado a fazer concessões em áreas como o destino de Jerusalém e dos milhões de refugiados palestinos. Os comentários, de uma franqueza pouco usual, foram publicados no jornal Haaretz e contradizem as garantias do governo israelense de que continua comprometido com o "mapa" da paz, que prevê um Estado soberano para os palestinos. Mês passado Sharon havia dito que não seguia mais o "mapa", mas as declarações de seu assessor são as mais detalhadas, até o momento, sobre as intenções de seu governo. Weisglass disse que o plano de Sharon de "desligamento unilateral" dos palestinos tem o objetivo de evitar novas negociações. Segundo ele, o plano "fornece a quantidade necessária de formol para que não haja um plano de paz com os palestinos". Essas declarações podem ser vistas como uma tentativa de agradar à direita israelense. O premier perdeu sua maioria parlamentar por conta do plano de deixar Gaza, e não foi capaz de ampliar a coalizão que sustenta o governo.

Agencia Estado,

06 Outubro 2004 | 11h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.