Reuters
Reuters

Obra é ‘vitrine’ do investimento em plano de mobilidade

Total de propinas pagas pela Odebrecht na Argentina entre os anos de 2007 e 2014 chegou a US$ 35 milhões

Beatriz Bulla e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - A obra de soterramento da linha ferroviária Sarmiento é considerada um dos principais projetos de mobilidade da Argentina, como parte de um pacote de integração da Província de Buenos Aires com a capital do país. O projeto prevê o soterramento de 35 quilômetros de vias, com construção de estações subterrâneas e instalação de novos sistemas de sinalização e alimentação de energia elétrica. 

Em informações divulgadas em 2013, por meio do seu site, a Odebrecht informou a conquista do contrato e divulgou que as obras seriam capazes de aumentar em 50% a capacidade de transporte de passageiros, em razão da diminuição do tempo de intervalo entre os trens.

Em outubro de 2016, quase 10 anos após a licitação, executivos da Odebrecht e autoridades argentinas – entre elas o presidente do país, Mauricio Macri – participaram do lançamento de uma etapa dos trabalhos na obra.

Documentos do Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA divulgados em dezembro apontam que entre 2007 e 2014 a Odebrecht fez pagamentos de US$ 35 milhões em propina e parte dos valores foi repassada para autoridades do governo argentino. Em troca, a empresa recebeu benefícios de aproximadamente US$ 278 milhões em obras, segundo relatório do DoJ.

Os americanos citam dois exemplos, pelo menos um deles da era Kirchner. Em um deles, o Setor de Operações Estruturadas da empresa, conhecido como departamento de propina, fez repasse de US$ 2,9 milhões entre 2011 e 2014 para assegurar contratos com o governo argentino. O pagamento foi resultado de uma negociação feita em 2008.

No segundo exemplo relatado pelo DoJ, que não indica nomes de autoridades ou obras envolvidas, foi feito um pagamento adicional de US$ 500 mil para contas privadas de um intermediário responsável a repassar a propina para autoridades do governo argentino.

Mais conteúdo sobre:
Argentina Mauricio Macri Odebrecht

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.