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Ocidente tem acesso a listas do EI com nomes de milicianos estrangeiros, diz jornal

Segundo a publicação, todo voluntário que chega à região controlada pelo Estado Islâmico na Síria tem que responder a um questionário com 32 perguntas

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O Estado de S. Paulo

08 Março 2016 | 15h46

BERLIM - Serviços de segurança ocidentais conseguiram obter listas da organização terrorista Estado Islâmico (EI) com nomes e dados de milicianos estrangeiros, informou nesta terça-feira, 8, a imprensa alemã, que também disse ter tido acesso a parte dessa documentação.

O jornal Süddeutsche Zeitung explicou em sua edição do dia que chegou aos documentos graças a um colaborador que trabalha perto da fronteira entre Turquia e Síria. Segundo o jornal, todo voluntário que chega à região controlada pelo EI na Síria tem que responder a um questionário com 32 perguntas.

Além de dar dados pessoais e de contatos de pessoas próximas para avisar em caso de morte, o voluntário deve dizer se está disposto, por exemplo, a trabalhar como espião, combatente ou terrorista suicida.

O vazamento, segundo a publicação alemã, é um reflexo da difícil situação econômica atual do EI, provocada pela queda dos preços do petróleo e pelos bombardeios, que reduziram o número de combatentes. Essa situação deixou muitos milicianos da organização mais propensos ao suborno e facilita a divulgação de dados do EI, como essas listas.

O Escritório Federal contra o Crime (BKA) da Alemanha, consultado pelo jornal, afirmou considerar as listas autênticas. Há uma série de indícios que apontam para isso, como os números de telefone de parentes de jihadistas que morreram como terroristas suicidas na Síria.

Os documentos, que também estão em poder das autoridades, podem abrir novos processos por filiação ao grupo armado ou dar um novo giro nos que já estão em andamento.

O jornal usou como exemplo o caso de Kerim Marc B., cidadão turco-alemão detido após retornar da Síria, que foi indiciado na quarta-feira em Düsseldorf por filiação a um grupo armado. Até o momento, a acusação se baseava quase exclusivamente em conversas virtuais com amigos e parentes, mas as listas do EI - em que o nome dele aparece - podem dar novos argumentos à promotoria.

Outro caso é o de Abdelkarim B e sua esposa Angelique, que foi detida em um aeroporto turco com uma bomba que aparentemente havia sido entregue por seu marido. As acusações iniciais contra eles eram de planejar um atentado e de posse ilegal de armas, diante da dificuldade de demonstrar sua filiação ao grupo terrorista, mas o surgimento das listas pode mudar essa situação.

Os documentos incluem também nomes de pessoas que, após retornarem da Síria, negaram à polícia ter tido qualquer contato com o EI, e alegaram que a viagem ao país tinha motivações humanitárias. /EFE

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